Por Guilherme Rios*
As constantes queixas de falta de água em bairros de Salvador e da Região Metropolitana têm se intensificado, especialmente durante o verão e em períodos sem chuvas quando as temperaturas estão mais elevadas. Moradores relatam torneiras secas, baixa pressão e longos períodos de interrupção no fornecimento em diferentes localidades.
De acordo com a Embasa, o cenário é resultado de uma combinação de fatores que pressionam o sistema de abastecimento neste período. Em entrevista ao Portal Taktá, o superintendente de operação de água de Salvador e RMS, Júlio Gouvêa, detalhou os principais desafios enfrentados pela concessionária e as medidas adotadas para minimizar os impactos.
O aumento do consumo é um dos pontos mais sensíveis. “O verão é um período de alerta para a Embasa, porque sabemos que o consumo cresce bastante”, afirmou Gouvêa. Segundo ele, em áreas turísticas e litorâneas, a situação se intensifica. “Há localidades em que a população praticamente dobra, triplica ou até quadruplica, elevando também o consumo de água”, explicou.
Além da demanda maior, as ligações clandestinas — os chamados “gatos de água” — seguem como um problema relevante. “Quando o cliente furta água, ele instala uma tubulação clandestina na rede, o que provoca uma redução natural da pressão”, disse. Ele alertou ainda para os impactos coletivos dessa prática: “É um consumo não autorizado, desconhecido, que inevitavelmente impacta toda a vizinhança, podendo causar vazamentos não identificados e até comprometer a qualidade da água”.
Outro fator que interfere no abastecimento são as manutenções necessárias no sistema. “Sempre que há necessidade de manutenção, com paralisação pontual em ruas ou bairros, realizamos a devida comunicação”, explicou. Gouvêa ressaltou que o retorno da água não ocorre de forma imediata. “Existe um tempo não apenas para a correção, mas também para a retomada do abastecimento, pois é preciso esvaziar a rede, realizar o reparo e, depois, pressurizá-la novamente para que a água volte às residências”, afirmou.
Diante desse cenário, a Embasa afirma que tem ampliado investimentos para reduzir a intermitência e aumentar a capacidade do sistema. “Fizemos uma ampliação do nosso sistema de distribuição visando não só oferecer água com menos intermitência, mas também com maior eficiência e capacidade para absorver novos empreendimentos”, explicou o superintendente.
Entre as principais obras, está a duplicação de cerca de oito quilômetros de uma adutora principal. “Duplicamos quase oito quilômetros da nossa adutora principal, o que vai garantir mais de mil litros por segundo para o abastecimento”, afirmou, destacando que a intervenção deve melhorar o fornecimento em diferentes regiões da capital.
Áreas como o Subúrbio Ferroviário e a região da rodoviária, segundo Gouvêa, exigem atenção especial por conta das características do terreno. “A configuração do sistema torna o abastecimento mais desafiador nessas áreas, principalmente por questões topográficas”, explicou. “O Subúrbio conta atualmente com contratos específicos de performance, substituição de redes e também com a duplicação da adutora principal, o que deve melhorar a oferta de água”, concluiu.
Por fim, o superintendente reforçou a necessidade de colaboração da população. “É muito importante o apoio da população para utilizar a água de forma racional, principalmente nos períodos mais quentes”, pontuou. Ele também destacou a importância da regularização das ligações e da estrutura interna dos imóveis. “Também é fundamental manter a ligação regular, não apenas por uma questão de cobrança, mas para que a Embasa conheça o consumo e consiga melhorar a oferta do serviço para toda a população”, finalizou.
*com supervisão do jornalista Thiago Conceição.







