Vai Ter Que Renunciar? SESAB Desmente Prefeito De Porto Seguro Após Denúncia Sobre Verba

Vai Ter Que Renunciar? SESAB Desmente Prefeito De Porto Seguro Após Denúncia Sobre Verba

Por Záfya Tomaz

O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL), usou as redes sociais para acusar o Governo do Estado de negligência no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM). No vídeo, o gestor foi enfático: afirmou que renunciaria ao cargo caso a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) comprovasse que a prefeitura não repassa R$ 12 milhões anuais à unidade.

Apontando a falta de insumos básicos, como fios cirúrgicos e medicamentos, além de atrasos salariais, Jânio afirmou que Porto Seguro repassa mais de R$ 12 milhões por ano ao hospital e que os oito municípios da 8ª Região de Saúde enviam, juntos, cerca de R$ 30 milhões. O prefeito desafiou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e à secretária de Saúde, Roberta Santana: “Se vocês provarem que não é verdade, eu renuncio meu mandato”.

A Sesab respondeu às acusações com dados oficiais, disponíveis publicamente no Observatório Baiano de Regionalização da secretaria. Segunda a pasta, os recursos mencionados pelo prefeito são, na verdade, verbas federais repassadas ao Fundo Estadual de Saúde via Ministério da Saúde, destinadas a serviços de alta complexidade, como UTIs e oncologia, que são de responsabilidade do Estado. Segundo a Sesab, a prefeitura não envia nenhum recurso próprio para o hospital estadual.

O governo detalhou que o teto financeiro do SUS em Porto Seguro é de R$ 31.911.921,42 por ano, distribuídos da seguinte forma:
-Fundo Estadual: R$ 12.531.943,63 para manutenção do Hospital Regional;
-Fundo Municipal: R$ 19.379.977,79 para a prefeitura gerir a atenção ambulatorial e hospitalar básica.

Segundo o governo, desde 2023 já foram investidos R$ 42 milhões na região, incluindo a implantação da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). A Sesab também destacou que 52% dos pacientes atendidos no hospital apresentam quadros de baixa complexidade, que deveriam ser resolvidos na rede municipal. “Essa falha da rede municipal sobrecarrega o hospital estadual”, informou a secretaria em nota.

A Sesab encerrou a nota sugerindo que a prefeitura concentre esforços em organizar a atenção primária, “garanta equipes completas nas unidades básicas e cumpra as obrigações que a Programação Pactuada lhe atribui, em vez de produzir desinformação em redes sociais”. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Porto Seguro, mas até a publicação desta matéria não havia recebido retorno.