Entre agosto e outubro deste ano, a mostra Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo movimentou o Museu Nacional da República. Com encerramento neste domingo (4/10), a exposição reuniu mais de 102 mil visitantes durante os dois meses em que ficou em cartaz.
Quem passou pelo espaço pôde conhecer a história da capital federal por meio de documentos históricos, fotografias, maquetes e produções artísticas que apresentam a memória e o patrimônio da cidade sob uma nova perspectiva.
Fruto de parceria entre o Metrópoles Arte e o Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF), o projeto contou com curadoria de Marcus Lontra, Marília Panitz e Rafael Peixoto.
Verdadeira imersão
Dividida nos eixos Área Monumental, Segmentos Radiais e Núcleo Documental, a exposição traçou uma linha do tempo sobre Brasília.
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do Metrópoles Vida & Estilo
Os visitantes tiveram acesso a um acervo que reúne desde os primeiros registros sobre a região até documentos históricos da construção e das transformações da capital ao longo dos anos.
A seleção reuniu mais de 120 documentos históricos e obras de arte para narrar essa trajetória. De um lado, registros como a caderneta da Missão Cruls de 1892 e os arquivos de Lucio Costa revelaram a origem de tudo e dialogaram com as transformações urbanas.
De outro, plantas de Oscar Niemeyer, painéis de Athos Bulcão e registros fotográficos de Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Mário Fontenelle dividiram o espaço com produções contemporâneas de nomes como Christus Nóbrega e o Coletivo Transverso.
“Ao apresentarmos, por exemplo, registros como os da série Foto na hora: Lembrança de Brasília, de Joaquim Paiva, ou as tensões sociais documentadas nas fotos da UnB nos anos 1960, nós retiramos a construção da capital do campo da mitologia oficial e a trazemos para o campo da vivência humana. Mostramos que Brasília foi feita por migrantes, trabalhadores, estudantes e artistas cujas vidas e conflitos moldaram a cidade que hoje habitamos”, descreveram o historiador Elias Manoel da Silva e o arquivista Hélio Júnior.
Depoimentos de quem visitou
Durante esse período, o Museu Nacional recebeu milhares de estudantes para conhecer a mostra. De diferentes localidades, séries escolares e faixas etárias, os alunos puderam conhecer detalhes importantes do DF — muitas vezes difíceis de acessar apenas pela teoria aprendida em sala de aula.
Em entrevista anterior ao Metrópoles, Sara Rívica, estudante do Centro Educacional (CED) 120 de Samambaia, destacou a importância de ter contato com o aprendizado prático.
“É interessante porque geralmente a gente fica na sala, e fica repetitivo, ruim para aprender e colocar isso na cabeça. E com as obras e o pessoal interagindo com a gente, fica mais fácil e divertido de aprender”, disse.

Lua Naima Visintin, professora que acompanhou alunos do Centro Educacional (CED) Zumbi dos Palmares, de São Sebastião, também comentou, durante uma visita guiada, a necessidade de garantir iniciativas como essa.
“Quando o assunto é Brasília, normalmente os debates giram em torno dos órgãos de governo e dos pontos centrais da política. A gente esquece que a cidade tem uma história recente, de como surgiu a ideia de transferir a capital federal e quem foi o responsável por isso. O mais interessante é ver esse despertar que eles assumem: ‘Eu moro nessa cidade’”, afirmou.
Para muitos, o passeio significou viver experiências inéditas. Foi o caso de Amanda Larissa Moraes da Silva, de 13 anos, aluna do Centro Educacional (CED) Gesner Teixeira, de Santa Maria. Natural do Maranhão, ela relatou que o passeio com a escola abriu novas possibilidades.
“Eu morava em uma cidade pequena no Maranhão e estou bastante impressionada por visitar pela primeira vez um museu na minha vida. É um sonho e tem sido muito legal!”, exclamou.
Não acaba por aqui
De acordo com o historiador Elias Manoel da Silva e o arquivista Hélio Júnior, responsáveis pelo projeto, a expectativa é que parte significativa do acervo apresentado seja incorporada à reserva técnica do Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF). Com isso, a exposição poderá ser remontada futuramente no Centro de Exposições da instituição, ampliando o acesso do público ao conteúdo.
“Um dos principais legados que esperamos deixar é a afirmação de que o Arquivo Público do Distrito Federal não é apenas como um repositório documental, mas é a verdadeira ‘casa da memória’ de Brasília e um organismo vivo e acessível”, reforçaram.
Segundo os especialistas, essa inciativa faz parte de uma das principais missões de um arquivo público: promover a difusão do patrimônio documental e aproximar a população da própria história.








































