Pesquisa Revela Que 80% Das Empresas Enfrentam Dificuldades Para Preencher Vagas

A dificuldade para contratar profissionais qualificados continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas empresas brasileiras. Dados da Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, realizada pelo ManpowerGroup, mostram que oito em cada dez empregadores no país (80%) afirmam encontrar obstáculos para preencher vagas.

O levantamento ouviu 39.063 empregadores em 41 países entre os dias 1º e 31 de outubro de 2025. Embora o índice brasileiro tenha registrado uma leve redução em relação a 2025, quando alcançou 81%, ele permanece em um patamar elevado desde 2022. Antes disso, em 2019, o percentual era de 52%.

No cenário global, a média de empresas que relatam dificuldades na contratação é de 72%, também abaixo dos 74% registrados no ano anterior.

A pesquisa revela ainda que a escassez de talentos aumenta conforme cresce o porte da empresa. Entre os negócios com menos de dez funcionários, 72% relatam dificuldades para contratar. O índice sobe para 75% nas empresas com 10 a 49 colaboradores, 79% nas que possuem entre 50 e 249 empregados, 81% nas companhias com 250 a 999 funcionários e alcança 90% entre aquelas com 1.000 a 4.999 trabalhadores. Já nas organizações com mais de 5.000 colaboradores, o percentual é de 83%.

Regionalmente, o Estado de São Paulo lidera o ranking da dificuldade de contratação, com 88% dos empregadores enfrentando problemas para encontrar profissionais. Na sequência aparecem Minas Gerais (85%), Rio de Janeiro (80%), cidade de São Paulo (79%), demais regiões do país (77%) e Paraná (74%).

Entre os segmentos econômicos, os serviços profissionais, científicos e técnicos são os mais afetados. Segundo a pesquisa, 85% dos empregadores desse setor enfrentam dificuldades para preencher vagas.

Na sequência aparece o setor de informação, onde 83% das empresas relatam escassez de mão de obra qualificada. Comércio e logística, hospitalidade, manufatura, serviços públicos e recursos naturais registram o mesmo índice, de 79%.

O setor de construção e imobiliário também figura entre os mais impactados, com 77% dos empregadores relatando dificuldades na contratação.

Apesar de ser um dos maiores geradores de empregos do país, a construção civil enfrenta um apagão de mão de obra, principalmente nas vagas de entrada, tradicionalmente ocupadas por trabalhadores mais jovens. Especialistas apontam que o desinteresse pela atividade está relacionado à percepção negativa sobre o trabalho braçal, à falta de referências de crescimento profissional e à concorrência com segmentos mais atrativos para esse público, como tecnologia, varejo e aplicativos.

No Brasil, as habilidades técnicas mais escassas são desenvolvimento de modelos e aplicações de IA, letramento em IA, TI e Dados, front office e atendimento ao cliente, além de marketing e vendas.

Já entre as competências comportamentais mais valorizadas pelos empregadores estão profissionalismo e ética no trabalho, comunicação e trabalho em equipe, adaptabilidade e disposição para aprender, pensamento crítico e resolução de problemas, além do letramento digital.

Para reduzir os impactos da escassez de talentos, a principal estratégia adotada pelas empresas brasileiras é investir no desenvolvimento dos próprios colaboradores. Segundo o levantamento, 44% dos empregadores apostam em programas de upskilling, voltados ao aprimoramento das competências dos profissionais, e de reskilling, que consiste na capacitação para atuação em novas áreas. O percentual é significativamente superior à média mundial, de 27%.

Outras medidas adotadas incluem a busca por novos grupos de talentos (25%), maior flexibilidade no local de trabalho (23%), flexibilização de horários (21%) e revisão salarial para tornar as vagas mais competitivas (18%).

O uso de inteligência artificial e automação para reduzir a necessidade de contratação é citado por 11% das empresas brasileiras. Já a redução ou eliminação da exigência de diploma aparece como a alternativa menos utilizada, mencionada por apenas 7% dos entrevistados. Como os participantes puderam escolher mais de uma resposta, os percentuais ultrapassam 100%.

Além das ações voltadas aos próprios funcionários, empresas também têm recorrido a projetos sociais para enfrentar gargalos relacionados à qualificação profissional e à cadeia produtiva.

Um estudo da Bisc (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), divulgado em abril, mostra que iniciativas voltadas à capacitação profissional vêm sendo utilizadas para reduzir entraves que limitam o crescimento dos negócios.

Segundo o levantamento, essa prática reflete uma mudança no papel do investimento social corporativo, que deixou de ser apenas uma ação de responsabilidade social para integrar o planejamento estratégico das empresas, com foco em resultados de longo prazo.