Nos últimos tempos, imagens de mulheres exibindo o buço e com orgulho dos pelos passaram a circular com mais frequências nas redes. Apesar de isso dar a impressão de uma nova tendência, a verdade é que o principal movimento não é o abandono da depilação, e sim uma mudança na forma como os pelos faciais femininos são encarados.
De onde surgiu
Para a dermatologista Regina Buffman, esse ideal acompanha uma transformação mais ampla na relação das mulheres com os padrões de beleza. “Pode representar uma escolha pessoal ligada à liberdade, à aceitação do corpo e ao questionamento da ideia de que todos os pelos femininos precisam ser removidos”, afirma em entrevista ao Metrópoles.
Na mesma linha, a especialista em etiqueta e elegância Romaly Telesca reforça que esse debate não surgiu do nada.
Ela lembra que, durante décadas, a ausência de pelos foi associada à feminilidade e que essa ideia começou a ser questionada ainda na segunda onda do feminismo. “Na prática, a grande maioria continua os removendo, o que mudou foi o debate sobre autonomia e liberdade.”
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do Metrópoles Vida & Estilo
Prejuízo
As duas especialistas, nesse caso, concordam que o estigma em torno dos pelos faciais ainda afeta a autoestima de muitas mulheres.
Regina destaca que crescer ouvindo que determinadas características do corpo precisam ser escondidas pode provocar insegurança, constrangimento e até levar algumas pessoas a buscar procedimentos apenas por pressão.

“A dermatologia acompanha esse processo reforçando que os cuidados estéticos devem estar ligados ao bem-estar e à decisão individual de cada paciente”, comenta.
Romaly observa que esse julgamento também interfere na forma como as mulheres são percebidas socialmente. Para ela, toda escolha estética comunica algo, mas isso não significa que exista uma decisão certa ou errada. “A elegância nunca foi sinônimo de seguir cegamente padrões de beleza, ela está muito mais ligada à adequação e à coerência entre imagem, contexto e objetivo.”
O que diz a dermatologia
Enquanto a especialista em etiqueta enfatiza como a imagem influencia a percepção social, Regina reforça que a decisão sobre remover ou não os pelos deve priorizar o bem-estar individual. Segundo a dermatologista, o papel do profissional é acolher a paciente, apresentar as opções disponíveis e respeitar sua autonomia.

Embora os pelos faciais sejam uma característica natural e variem conforme fatores genéticos, hormonais e étnicos, a médica alerta que algumas mudanças exigem investigação. Assim, é importante observar se há aumento recente e significativo, acne intensa, queda de cabelo, irregularidade menstrual, aumento da oleosidade da pele e alterações no peso.
“Nesses casos, o dermatologista pode avaliar a necessidade de investigação hormonal e identificar possíveis condições, como alterações relacionadas à síndrome dos ovários policísticos ou outros distúrbios hormonais”, conclui.
















