R$ 62,5 bilhões. Esse é o total que as famílias brasileiras perderam para as bets no ano passado. O montante é o valor líquido. Ou seja, a diferença entre o dinheiro apostado e o que foi devolvido em forma de prêmio. O que dá uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, mas num período maior, de outubro de 2024 a março deste ano.
Em termos percentuais da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias é um percentual de 0,68%. E isso de transferências feitas por Pix para casas de apostas. Enquanto isso, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em Pix no ano passado.
Esses dados estão no Boletim Fiscal dos Estados, divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comsefaz – o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, que pegou dados do Banco Central. Das estatísticas de pagamento.
Nesse estudo, vem um gráfico que mostra que desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado até hoje, houve uma mudança nas transferências por pix. Isso para o setor de artes, cultura, esporte e recreação. É o comprometimento da renda, os impactos econômicos nas famílias.
O detalhe é que a lei que regulamentou as bets fala que as empresas são obrigadas a bloquear o acesso de usuários que sejam compulsivos. Mas não é o que está ocorrendo, como diz o advogado Júlio Leone.
“Quando é detectado que a pessoa tem a ludopatia, que ela é viciada, que ela compulsiva na questão da aposta, o algorítimo deveria travar a conta dela. Mas ele faz o contrário: ele manda mais bônus, ele manda mais vouchers, ele manda mais incentivo para o cara apostar. E é aí que ele perde todo o capital”.
Mas, o boletim mostra ainda que desde outubro passado, quando foi proibida a aposta para quem recebe o Bolsa Família, houve uma desaceleração no ritmo das transações. Segundo o Comsefaz, o que mostra que a proibição teve efeitos concretos sobre o volume agregado de transações, sugerindo que as famílias de renda mais baixa tinham participação significativa no mercado de bets.







