O brasileiro está chegando mais tarde ao altar — e isso pode estar ajudando a evitar separações. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o número de divórcios caiu 2,8% em 2024, chegando a 428.301 registros, a primeira queda desde 2019. No mesmo período, os casamentos civis cresceram 0,9%, acompanhados por um aumento contínuo das idades de quem diz “sim”.
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Em 2024, homens se casaram, em média, aos 31,5 anos, enquanto as mulheres chegaram ao casamento aos 29,3 anos. Entre casais do mesmo sexo, as idades são ainda maiores: 34,7 anos para homens e 32,5 anos para mulheres. As mudanças são expressivas — há 20 anos, apenas 8,5% das mulheres tinham 40 anos ou mais ao casar; agora, a proporção chega a 25,3%.
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Segundo Klívia Brayner, gerente da pesquisa, essa tendência se relaciona ao adiamento do casamento civil e ao aumento dos recasamentos, favorecidos pelo crescimento da expectativa de vida. Mas há outros fatores que ajudam a explicar por que casar mais tarde pode significar se divorciar menos.
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Para a psicóloga e mentora de casais Ana Paula Nascimento, maturidade emocional é o primeiro deles. “Quem casa mais tarde costuma ter uma compreensão mais profunda de si mesmo, dos próprios limites e das necessidades afetivas”, explica.
“A impulsividade diminui, a comunicação melhora e a capacidade de resolver conflitos aumenta.”
Ela aponta também a estabilidade financeira como pilar importante. Ao chegar ao casamento com a vida profissional mais estruturada, muitos casais evitam um dos grandes gatilhos de brigas: o dinheiro. “Quando a base financeira é sólida, o relacionamento ganha espaço para crescer sem a pressão do caos econômico.”
A experiência de vida acumulada ao longo dos anos também contribui para escolhas mais realistas — e menos idealizadas. “Casar depois dos 30 costuma significar ter passado por relacionamentos anteriores, errado, aprendido e entendido o que realmente se busca em um parceiro”, diz.
Casais que se unem mais tarde na vida frequentemente já estabeleceram suas carreiras e alcançaram uma maior estabilidade financeira
Além disso, quem adia o casamento tende a namorar por mais tempo antes de oficializar a união. Isso permite um conhecimento mais profundo do outro: valores, hábitos, metas e até defeitos entram no pacote. “Quando o casal se conhece de verdade, as surpresas desagradáveis diminuem”, afirma Nascimento.
Outro ponto é a independência pessoal. Viver sozinho por algum tempo, construir hobbies, amizades e uma rotina própria fortalece a relação.
“Você entra no casamento inteiro, e não procurando ser completado. Isso reduz ressentimentos e frustrações”, diz a psicóloga.
Ao namorar por um período mais longo, que é comum entre quem casa mais tarde, o casal tem mais tempo para se conhecer profundamente
Mas, independentemente da idade, Ana Paula lembra que nenhum casamento sobrevive apenas ao calendário. Ela lista pilares essenciais: comunicação honesta, respeito, confiança, apoio mútuo, tempo de qualidade, boa gestão dos conflitos, intimidade, autonomia, flexibilidade e gratidão. “Um relacionamento duradouro é construído todos os dias. A idade ajuda, mas não faz milagre sozinha.”
A tendência de postergar o casamento — e fortalecer as relações — deve continuar, segundo o IBGE. Com brasileiros vivendo mais, namorando por mais tempo e assumindo compromissos mais conscientes, o “felizes para sempre” pode estar começando um pouco mais tarde, mas com bases mais sólidas.






