TCU promove mostra inédita e imersiva de Tarsila do Amaral em Brasília

Brasília recebe, pela primeira vez na história, uma exposição de grande porte dedicada a Tarsila do Amaral, uma das figuras centrais do modernismo brasileiro. Em cartaz de 11 de fevereiro a 10 de maio de 2026, no Centro Cultural TCU, a mostra Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral apresenta mais de 60 obras originais da artista, além de uma sala imersiva que amplia o contato do público com seu imaginário visual. A entrada é gratuita.

Mais do que uma retrospectiva, a exposição propõe uma leitura contemporânea da trajetória de Tarsila, revelando como sua obra atravessa temas como identidade, pertencimento, modernidade, imaginação e questões sociais, elementos que continuam profundamente atuais.

Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila do Amaral; Juliana Miraldi, curadora sala imersiva; Elisa Bruno, coordenadora da exposição; Karina Santiago, curadora; Ana Cristina Novaes,Diretora-geral do Centro Cultural TCU; Rachel Vallego, curadora e Renata Rocco, curadora.

Uma artista que ajudou a inventar o Brasil moderno

Nascida em Capivari (SP), em 1886, Tarsila do Amaral construiu uma das obras mais importantes da história da arte brasileira. Após formação no Brasil e em Paris, onde teve contato com o cubismo e as vanguardas europeias, retornou ao país nos anos 1920 e passou a desenvolver uma linguagem profundamente ligada às cores, paisagens e símbolos do Brasil.

Foi autora de obras icônicas como Abaporu, que inspirou o Movimento Antropofágico, além de pinturas que marcaram a fase Pau-Brasil e, posteriormente, a fase social, quando voltou seu olhar às transformações urbanas e ao mundo do trabalho.

Em 2026, ano em que se celebram os 140 anos de seu nascimento, a exposição em Brasília surge como um dos principais eventos culturais em homenagem à artista.

A primeira-dama Janja Lula da Silva em visita guiada pela exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU
Operários, uma das obras mais famosas de Tarsila do Amaral

Quatro núcleos para entender os olhares de Tarsila

A curadoria, assinada por Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, organiza o percurso em quatro grandes núcleos que acompanham os deslocamentos sensíveis da artista ao longo de sua vida.

Estar no mundo

O primeiro núcleo apresenta os anos de formação de Tarsila e sua busca por linguagem própria. As obras revelam o contato inicial com diferentes estilos, o domínio técnico e o processo pelo qual a artista transforma a experiência vivida em pintura, materializando sua presença no mundo. Nesse núcleo, o público pode observar desde estudos clássicos até os primeiros passos rumo à estética modernista que a tornaria reconhecida internacionalmente.

Exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU

Olhar o mundo

Neste momento da exposição, Tarsila surge como observadora atenta do espaço ao seu redor. As telas conciliam o ritmo acelerado das metrópoles com a temporalidade mais lenta do interior do Brasil, revelando paisagens urbanas, estradas de ferro, cidades em transformação e cenários marcados pela modernização. É o período em que a artista absorve as influências modernas e as traduz em uma linguagem profundamente brasileira.

Exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU

Mergulho no onírico

O núcleo mais poético da mostra apresenta o universo do sonho, da memória e da imaginação. As paisagens tornam-se simbólicas, orgânicas e fantásticas, com cores vibrantes e formas que parecem brotar de um mundo interior. É desse território que emergem obras como A Cuca, O Sono, Antropofagia e outros trabalhos que consolidaram o imaginário “tarsiliano” como um dos mais marcantes da arte moderna.

Renata Rocco, curadora da exposição, fala sobre o núcleo Mergulho no Onírico
Mergulho no Onírico

Olhar o outro

Na fase social, Tarsila volta seu foco à realidade brasileira de forma mais direta. Trabalhadores, operários e figuras humanas ganham protagonismo, revelando as desigualdades, a industrialização e o cotidiano do povo. O grande destaque deste núcleo é Operários, uma das pinturas mais emblemáticas da história da arte no Brasil, que sintetiza o olhar crítico da artista sobre o mundo do trabalho urbano.

Exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU

Uma sala imersiva para entrar no universo de Tarsila

Um dos pontos altos da exposição é o espaço imersivo, com curadoria de Paola Montenegro, sobrinha-bisneta da artista e diretora da Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A., em parceria com Juliana Miraldi.

A experiência convida o visitante a literalmente atravessar a obra O Sapo (1928) e caminhar por cenários inspirados em pinturas como Cartão Postal, A Cuca, Sol Poente, Abaporu, O Sono e Antropofagia

Guiados pela figura do sapo — personagem recorrente na obra da artista — o público percorre ambientes que misturam imaginação e realidade, criando uma narrativa sensorial que amplia o contato com o repertório visual de Tarsila.

Diferentemente de muitas exposições digitais contemporâneas, a experiência foi construída sem uso de inteligência artificial, com artistas audiovisuais recriando manualmente os cenários e texturas do universo tarsiliano.

Visita guiada pela exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU
Visita guiada pela exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Paola Montenegro contou:

“Apesar de ser a maior pintora do Brasil, Tarsila não gostava dos holofotes, e isso a tornava ainda mais humana. Desde criança, ela foi incentivada a seguir seus sonhos. Teve o apoio fundamental do pai, que acreditava em sua vocação artística e a encorajou a ir atrás de tudo o que desejava. Graças a esse incentivo, ela pôde se tornar a artista que hoje reconhecemos como a maior pintora do país.”

Cultura como patrimônio público

Durante a abertura da exposição, o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, destacou o papel do TCU na preservação da cultura como bem público.

Segundo ele, trazer Tarsila do Amaral para Brasília, pela primeira vez em uma mostra dessa magnitude, é um presente à sociedade nos 135 anos da instituição.

“O patrimônio cultural, a nossa identidade, a nossa história contada por meio das cores de Tarsila são tão valiosos quanto os recursos que fiscalizamos diariamente”, afirmou.

O ministro também ressaltou o alcance social da iniciativa, especialmente por meio do programa educativo que recebe crianças de escolas públicas do Distrito Federal, ampliando o acesso à arte e à formação cultural.

Ministro presidente do TCU, Vital do Rêgo, em discurso de abertura

Curadoria e parcerias que viabilizaram a mostra

A exposição é resultado de uma ampla articulação institucional que reúne obras de importantes acervos públicos e privados, como MASP, Pinacoteca de São Paulo, MAC-USP, Museu de Arte Brasileira da FAAP, entre outros, além de coleções particulares.

A dificuldade de reunir obras de Tarsila — hoje entre as mais valorizadas do país — foi superada por meio de parcerias baseadas em confiança institucional, permitindo que o conjunto chegue ao Centro-Oeste fora do tradicional eixo Rio-São Paulo.

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São Paulo, obra de Tarsila do Amaral
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São Paulo, obra de Tarsila do Amaral

Wey Alves/Metrópoles

Floresta, obra de Tarsila do Amaral
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Floresta, obra de Tarsila do Amaral

Wey Alves/Metrópoles

Religião brasileira, obra de Tarsila do Amaral
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Religião brasileira, obra de Tarsila do Amaral

Wey Alves/Metrópoles

Santa Irapitinga do Segredo, obra de Tarsila do Amaral
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Santa Irapitinga do Segredo, obra de Tarsila do Amaral

Wey Alves/Metrópoles

Autorretrato com vestido laranja, obra de Tarsila do Amaral
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Autorretrato com vestido laranja, obra de Tarsila do Amaral

Wey Alves/Metrópoles

Saci e três estudos de bichos, obra de Tarsila do Amaral
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Saci e três estudos de bichos, obra de Tarsila do Amaral

Wey Alves/Metrópoles

Educação e formação de novos públicos

Além da exposição, o Centro Cultural TCU oferecerá uma programação educativa contínua, com visitas mediadas, oficinas de arte aos fins de semana e ações voltadas a estudantes, professores e público em geral.

A proposta é ampliar o diálogo com a obra de Tarsila e estimular a formação cultural desde a infância.

Confira quem prestigiou a inauguração da mostra pelos olhos dos fotógrafos Gustavo Lucena e Wey Alves:

Claudia Jordão; ministro do TCU, Vital do Rêgo; primeira-dama, Janja Lula da Silva; Vialuba Vital do Rêgo, Karina Santiago e Illana Sales
Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, curadoras da exposição
Primeira-dama, Janja Lula da Silva cumprimenta Ministro do TCU, Vital do Rego e sua esposa, Vilauba do Rego
Juliana Miraldi, Paola Montenegro e Rachel Vallego
Vilauba Vital do Rêgo, Claudia Meireles e ministro presidente do TCU, Vital do Rêgo
Juliana Miraldi, curadora da sala imersiva e Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila do Amaral
Vilauba do Rego, Ana Cristina Novaes e Elisa Bruno
Procuradora Geral do TCU, Cristina Machado; ministro do TCU, Antônio Anastasia e Bertha Pellegrino
Ministro do TCU Augusto Nardes e Renata Andrade
Sobrinha-bisneta da Tarsila do Amaral, Paola Montenegro, em discurso de abertura da exposição
Beto Osório, Elisa Bruno e Keiny Luize
Diretor Jurídico do BNDES, Walter Baère Filho, em discurso
Presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em discurso de abertura
Elisa Bruno, coordenadora da exposição
Antonio e Elizabeth Veronese
Claudia Meireles
Onice Moraes e José Rosildete Oliveira
Roberta Pinheiro
Caio Mendonça Filho, Damares Medina, Priscila Monteiro e Clayton Camargos
Eliana Bruno e Edilene Ribeiro
José Alberto Cunha Porto, Ceres Alves Prates e Luiz Fernando Ururahy de Souza
Annelise Freire, Elisa Bruno, Vivian Pimenta e Breno Pimenta
Cintia Caldas, Shirley Cavalcante, Claudia Jordão e Eduardo Costa
Paulo Bugarin, Claudia Meireles, Cecilia Bugarin, Paola Montenegro, Bertha Pllegrino e ministro do TCU, Antônio Anastasia
Marcos Moraes, Antonio Almeida, Juliana Braga e Carla Barbieri
Giulia Luchetta Dos Santos, Caio Gomez e Karina Santiago
Kátia Kubel e Claudia Meireles
Marco Aurélio, Guilherme Moreira e Wanessa Mello
Karina Santiago, Ceres Alves Prates e Ana Cristina Novaes
Ana Repezza, Vilauba Vital do Rego e ministro do TCU, Vital do Rego
Guilherme Miranda, Diego Coelho, Karina Santiago e José Veríssimo
Renata Rocco, Amanda Mendes e Roberta Pinheiro
Rodrigo Medeiros; procuradora-geral do TCU, Cristina Machado; e Júlio Marcelo
Paula Pelegnhi e Anahi Maranhão
Monica Bastos, Vilauba do Rego e Claudia Meireles
Cecilia Fruman e Julia Copping
Pillar Haickel, Silvia Guerreiro, Carolina Guidotti e Marcos França
Jorge Lara e Wilene Santiago
Primeira-dama, Janja Lula da Silva
Mariana e Fefis Correa
Candice Trigueiro e Rafaela Farias
Ana Cristina Novaes; presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes; presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza; ministro do TCU, Antônio Anastasia; ministro do TCU, Augusto Nardes; Karina Santiago; ministro do TCU Vital do Rêgo e diretor jurídico do BNDES, Walter Baère Filho
Autoridades na abertura da esposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU
Diretora-geral do Centro Cultural TCU, Ana Cristina Novaes, em discurso
Vilauba Vital do Rêgo, Ilana Sales e ministro presidente do TCU, Vital do Rêgo
Karina Santiago, Vilauba Vital do Rêgo, Claudia Meireles e Ilana Sales
José Pinheiro,Tâmara Porfirio, Priscila Monteiro e Meire Mota
Convidados prestigiam lançamento da exposição de Tarsila do Amaral no Centro Cultural TCU
Fernando Girão
Roberta Lima, Maria Eduarda Cabral, Amanda Herculano, Sarah Vital e Valkenia Moraes

Serviço

Exposição: Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral
Período: 11 de fevereiro a 10 de maio de 2026
Entrada: gratuita
Local: Centro Cultural TCU – Brasília/DF
Setor de Clubes Sul, Trecho 3

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