Sem Resolução! EUA Afirma Que Brasil Não Apresenta Propostas Relevantes

A menos de uma semana para que entre em vigor a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para quinta-feira (1º), integrantes da Casa Branca afirmam não terem recebido do Brasil qualquer “oferta significativa” nem “envolvimento relevante” nas negociações. A alegação, feita por um representante do governo dos Estados Unidos ao jornal Folha de S.Paulo, expõe o impasse diplomático entre os dois países.

Do lado brasileiro, a versão é oposta. Autoridades afirmam que o processo formal de tratativas segue travado por falta de resposta da própria Casa Branca. Segundo os negociadores, propostas foram encaminhadas antes mesmo de o ex-presidente Donald Trump anunciar o aumento da tarifa, que saltou de 10% para 50%.

Ainda assim, o Brasil se recusa a ceder no ponto mais sensível da carta enviada por Trump a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual o republicano justifica a medida tarifária com base no que chama de “a caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O governo brasileiro classifica o argumento como um ataque direto à soberania nacional e não aceita discutir questões de natureza política no âmbito comercial.

Enquanto os Estados Unidos mantêm o silêncio sobre as ofertas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, buscou contato com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e recebeu como resposta que a negociação está concentrada na Casa Branca. Já o ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, conversou no sábado (19) com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, durante cerca de 50 minutos. A mensagem que recebeu foi a mesma: a decisão está nas mãos de Trump.

O próprio presidente Lula comentou a dificuldade de diálogo com os americanos. “Todo dia ele [Alckmin] liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, afirmou na sexta-feira (25). Trump já anunciou acordos com países como Japão e Indonésia.