Com a possibilidade do fenômeno climático El Niño ganhar força entre outubro e dezembro deste ano, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira (20) medidas de prevenção, monitoramento e resposta do município. A ação usa como base o Plano Verão, anunciado anualmente para minimizar os efeitos do verão, e que será antecipado.
Segundo estimativas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o super El Niño tem até 81% de probabilidade de ocorrer entre outubro e dezembro deste ano e 97% de chance de persistir até o início da primavera de 2027.
O El Niño é um fenômeno provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. No Brasil, pode provocar chuvas mais intensas no Sul e períodos de seca no Norte e Nordeste. Já no Rio de Janeiro, a principal preocupação é com temperaturas acima da média e mudanças no regime de precipitações.
Mais de 50 órgãos e entidades municipais atuam de forma integrada com monitoramento em tempo real para lidar com possíveis efeitos do El Niño. Entre as ações estão investimentos em infraestrutura, prevenção de alagamentos, contenção de encostas, ampliação de áreas verdes e medidas de combate ao calor extremo. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, fala da força-tarefa empregada para lidar com eventuais imprevistos climáticos
“A partir de uma estratégica única dos órgãos e dirigentes municipais, a gente consegue, em muitos casos, reduzir os efeitos, minimizar os impactos. Mas isso não significa que a cidade vai deixar de viver momentos extremos com a chuva. Somos uma cidade de clima tropical úmido, com chuvas intensas, com calor intenso e, mais do que isso, chove em momentos concentrados”.
O planejamento reúne informações meteorológicas e indicadores de saúde para orientar as ações do poder público. A prioridade é proteger os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de rua.
O município mantém um sistema de classificação de risco para ondas de calor, dividido em cinco níveis. A definição leva em conta o índice de calor, calculado a partir da combinação entre temperatura e umidade do ar, além da duração dessas condições climáticas. A cidade também dispõe do Cell Broadcast, tecnologia que permite o envio de alertas de emergência diretamente para celulares localizados em regiões sob risco.
A prefeitura também implementou conjuntos de ações para diminuir o calor, com programas como o Refloresta Rio, que já plantou quase 11 milhões de mudas e o Planta+Rio, que tem a meta de plantar mais de 200 mil mudas até 2028, que podem ser pedidas pela população pela Central 1746.
A preparação do Rio passa também por obras estruturantes destinadas à prevenção de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Na área de contenção de encostas, a cidade mantém obras em andamento, com investimentos de R$ 258 milhões e cerca de 60 mil pessoas atendidas.
Ainda de acordo com a prefeitura, desde 2021 foram feitas obras de requalificação urbana que beneficiaram mais de 75 localidades nas zonas Norte e Oeste da capital fluminense, com investimento superior a R$ 1 bilhão.







