Políticos de esquerda ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram, nesta quarta-feira (10/9), o voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da chamada trama golpista. Fux divergiu dos colegas e fez falas a favor da anulação do processo e da absolvição dos réus, postura celebrada por aliados de Bolsonaro.
Vice-líder de Lula na Câmara dos Deputados, o deputado Rogério Correia (PT-MG) (foto em destaque) pontuou o que, segundo ele, tratam-se de incoerências no discurso do ministro. Além disso, o parlamentar acusou Fux de tentar ajudar Bolsonaro.
“Fux tenta sustentar que o STF mudou a regra do foro após o 8/1 para justificar levar o caso à 1ª Turma. O problema: primeiro, as provas reúnem fatos desde 2021. Segundo, a mudança no foro foi só em 2023. Ou seja, a linha do tempo desmente a tese dele. E, de todo modo, é um voto preliminar sem qualquer efeito prático”, escreveu Correia em sua conta no X.
O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) avaliou o voto do ministro como vencido. “Até o momento, Fux vai carimbando o passaporte para poder passar as férias na Disney e encontrar o Pateta. O ‘In Fux we trust’, presente em uma conversa entre juiz e promotor durante a Lava Jato, agora é reproduzido pelos defensores dos golpistas. Será voto vencido”, publicou em suas redes.
A deputada Erika Hilton (PSol-SP) acusou o ministro de colaborar com a defesa de Bolsonaro. “O voto de Fux, com dezenas de contradições, vem 100% alinhado com o que pediu a defesa do inelegível. De repente, um ministro que votou em todas as condenações da tentativa de golpe de Estado agora alega que o STF e a 1ª Turma sequer podem julgar este caso”, criticou a parlamentar.
Apesar do voto de Fux, a Suprema Corte tende a formar maioria para a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos aliados por envolvimento na trama golpista. Entretanto, há uma expectativa de que as penas sejam diferentes.
A fala de Fux desagradou a esquerda
Fux afirmou nesta quarta que “não compete ao STF realizar julgamento político. Não se pode confundir o papel do julgador com o agente político. É compromisso ético do julgador reafirmar que a Constituição vale para todos”. A declaração deixou a base de Bolsonaro eufórica e esperançosa.
Por outro lado, a fala animou políticos bolsonaristas, que viram no discurso do ministro uma esperança para o ex-presidente. Fux foi enaltecido pela base de Bolsonaro, que chegou a classificá-lo como o “único sensato”.







