Pix, WhatsApp E Falsas Centrais: Confira Os Golpes Mais Comuns E Como Se Proteger

Por Guilherme Rios*

Golpes financeiros e digitais estão cada vez mais presentes no dia a dia dos brasileiros. Para ajudar o leitor a identificar as principais estratégias utilizadas por criminosos, o Taktá reuniu os golpes mais comuns apontados em alertas de órgãos oficiais, como o Banco Central, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal (PF).

As fraudes envolvem diferentes métodos, desde falsas centrais de atendimento e mensagens fraudulentas até golpes com Pix, WhatsApp, boletos e sites de compras. Apesar das diferenças, muitas dessas práticas utilizam técnicas de engenharia social para criar situações de urgência e convencer a vítima a fornecer dados pessoais, clicar em links ou realizar transferências bancárias.

Entre os principais golpes que exigem atenção estão:

  • Golpe do Pix;
  • Falsa central de atendimento;
  • WhatsApp clonado ou falso;
  • Sequestro da linha telefônica (SIM Swap);
  • Boletos falsos;
  • Sites falsos de compras;
  • Golpes com investimentos;
  • Mensagens falsas usando o nome do TSE e do Banco Central.

Apesar das diferentes modalidades, a maioria dos golpes segue um mesmo padrão: criar um senso de urgência para impedir que a vítima confirme as informações antes de agir. Mensagens sobre compras suspeitas, contas bloqueadas, pendências eleitorais, promoções com descontos exagerados ou supostos problemas na conta bancária estão entre as estratégias utilizadas para convencer as pessoas a clicar em links maliciosos, informar senhas ou realizar transferências.

Segundo o analista de segurança da informação Thiago Vieira, os criminosos têm concentrado suas estratégias em técnicas como phishing, vishing e smishing. “As principais estratégias de golpes utilizadas pelos cibercriminosos hoje em dia concentram-se no phishing, sobretudo nas modalidades de vishing, fraudes aplicadas por meio de chamadas telefônicas e smishing, enganos disseminados via mensagens de texto (SMS)”, explica.

De acordo com Thiago, os criminosos também podem utilizar informações obtidas em vazamentos de dados para tornar as abordagens mais convincentes. “Para conquistar a confiança, os golpistas costumam recorrer a bases de dados previamente expostas em vazamentos na internet. Com informações pessoais da vítima em mãos, os criminosos simulam ligações legítimas para executar a fraude”, afirma.

Como se proteger

Para reduzir o risco de cair em fraudes, os órgãos federais orientam nunca informar senhas ou códigos de autenticação, ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos, conferir o destinatário antes de fazer um Pix ou pagar um boleto, desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado e verificar a autenticidade de links e sites antes de informar dados pessoais.

O especialista também recomenda atenção redobrada durante ligações e transferências. “É importante sempre prestar atenção ao número que está realizando a ligação: números de atendimento não costumam possuir pré-fixo de região como 21, 11, 31”, orienta. Em transferências via Pix, ele recomenda verificar se o pagamento está sendo direcionado para uma empresa registrada ou para um usuário comum.

Mesmo quando a abordagem aparenta ser legítima, a orientação é fazer uma segunda checagem. “Mesmo que seja avisado de pendências via ligação ou mensagens, faça uma segunda checagem no site ou aplicativo oficial da empresa em questão”, afirma Thiago. Segundo ele, no WhatsApp também é importante observar se há o símbolo de verificação ao lado do nome da empresa.

Além dessas medidas, a PF, o Banco Central e a Anatel recomendam priorizar pagamentos dentro das plataformas oficiais em compras pela internet e, caso receba um Pix por engano, utilizar exclusivamente a função de devolução disponível no aplicativo do banco. A adoção desses cuidados pode evitar prejuízos financeiros e dificultar a ação dos golpistas.

As fraudes por telefone continuam entre as mais utilizadas pelos criminosos em 2026. Segundo a Anatel, os golpistas recorrem a ligações com números falsificados (spoofing), falsas centrais de atendimento e ao sequestro da linha telefônica (SIM Swap) para obter códigos de verificação, acessar aplicativos bancários ou convencer as vítimas a instalar programas que permitem o controle remoto do celular.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também alerta para mensagens falsas sobre supostas pendências no título de eleitor e reforça que qualquer consulta deve ser feita apenas pelos canais oficiais e pelo aplicativo e-Título.

O que fazer se cair em um golpe?

Caso a vítima caia em uma fraude, a orientação é agir rapidamente. Entre as principais medidas estão:

  • Entrar em contato com o banco ou instituição financeira;
  • Solicitar o bloqueio da conta, do cartão ou da linha telefônica, se necessário;
  • Pedir a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) em casos de fraude via Pix;
  • Registrar um boletim de ocorrência;
  • Alterar as senhas das contas comprometidas;
  • Denunciar perfis, números ou páginas falsas.

Thiago também orienta que a vítima reúna o máximo de informações possíveis sobre o golpe. “Salve os prints da ligação ou mensagem, salve o comprovante de pagamento também. Depois, registre o boletim de ocorrência e acione o MED (Mecanismo Especial de Devolução) do banco em que a transação foi realizada em até 80 dias do ocorrido, anexando o boletim de ocorrência”, explica.

Para o especialista, registrar a ocorrência também contribui para o combate às fraudes. “É de extrema importância que esses golpes sejam registrados para que novas vítimas não sejam feitas”, destaca.

Os órgãos federais reforçam que a melhor forma de evitar prejuízos é manter a desconfiança diante de ligações inesperadas, mensagens suspeitas e ofertas com vantagens excessivas. Em caso de dúvida, a recomendação é interromper o contato e procurar atendimento diretamente pelos canais oficiais da instituição envolvida antes de fornecer qualquer informação ou realizar pagamentos.

*com supervisão do jornalista Thiago Conceição.