Óleo De Fritura Usado Pode Ser Entregue Para Reciclagem E Produção De Biodiesel Na Bahia

Óleo De Fritura Usado Pode Ser Entregue Para Reciclagem E Produção De Biodiesel Na Bahia

Óleo de fritura usado e gordura residual de bares, restaurantes, empresas e baianas de acarajé podem ser destinados à reciclagem por meio da campanha Cada Gota Conta. A iniciativa reúne 15 associações e cooperativas de catadores e catadoras de materiais recicláveis de Salvador, Santa Maria e Camaçari e encaminha o material para a produção de biodiesel.

A proposta é evitar que o óleo seja descartado em pias, ralos ou redes de esgoto e fazer com que o resíduo entre em uma cadeia de logística reversa. Após ser recolhido pelos empreendimentos de catadores, o material passa por pré-tratamento e é transportado para a Usina de Biodiesel da Petrobras Biocombustível (PBIO), em Candeias.

Na unidade, o óleo é pesado, descarregado e analisado em laboratório. Depois, passa por etapas de faturamento, refino e limpeza antes de ser processado para a produção de biodiesel. O processo também gera glicerina e borra como coprodutos.

A campanha é desenvolvida pelo Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), em parceria com associações e cooperativas de catadores. A iniciativa integra uma cadeia que conecta a coleta do resíduo à indústria de biocombustíveis e também cria uma fonte de renda para os profissionais envolvidos.

O que acontece com o óleo

O descarte inadequado do óleo pode provocar obstruções nas redes de esgoto e aumentar os custos de manutenção dos sistemas de saneamento, além de causar impactos ambientais. A campanha estima que um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água.

Em 2025, foram adquiridas 30 toneladas de óleo e gordura residual das cooperativas participantes na Bahia. Segundo os dados da iniciativa, o volume contribuiu para evitar a emissão de 75 toneladas de gases de efeito estufa e resultou na produção de 70 toneladas de biodiesel.

A estimativa também aponta que a destinação correta das 30 toneladas de OGR preservou o equivalente a 750 milhões de litros de água, volume comparado a cerca de 300 piscinas olímpicas ou 750 mil caixas-d’água de mil litros.

Renda para catadores

Além do impacto ambiental, a iniciativa coloca cooperativas e associações de catadores em contato direto com a indústria de biocombustíveis. Segundo o CAMA, a comercialização do material ocorre com remuneração considerada justa, equivalente a 95% do preço do óleo de soja da Bolsa de São Paulo.

A Usina de Biodiesel da Petrobras Biocombustível, em Candeias, também oferece apoio logístico, incluindo a doação de recipientes para coleta e armazenamento do óleo. Os catadores contam ainda com uma equipe para acompanhamento das tratativas e apoio à participação no mercado.

Para Michele Almeida, vice-presidente da Camapet, a destinação correta permite transformar um resíduo em matéria-prima e, ao mesmo tempo, gerar renda para os catadores. “Cada Gota Conta não é só uma campanha – é transformação. […] recolhemos óleo de fritura usado e azeite de dendê de bares, restaurantes, empresas e das nossas queridas baianas de acarajé”, afirma.

Já o coordenador executivo do CAMA, Joilson Santana, destaca que a iniciativa busca unir a conscientização da população ao trabalho das cooperativas. “A campanha Cada Gota Conta, desenvolvida pelo Centro de Arte e Meio Ambiente, junto com 15 associações e cooperativas de catadores e catadoras de materiais recicláveis, dos municípios de Salvador, Santa Maria e Camaçari, mostra, na prática, como a união entre a sensibilização da sociedade e o trabalho desses profissionais transforma um resíduo altamente poluente em desenvolvimento sustentável e renda”, diz.

A iniciativa é apresentada pelo CAMA como parte da transição energética justa, com inclusão socioprodutiva e geração de renda. O biodiesel produzido a partir do óleo residual passa a integrar a cadeia de combustíveis, reduzindo a necessidade de descarte do material e dando novo uso a um resíduo que poderia causar danos ambientais.