Por Guilherme Rios*
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmou que a substância encontrada no sedimento da Praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, foi identificada como nitrato de cobre, após análises laboratoriais. O material, de coloração azul e amarela, levou o órgão a realizar inspeções técnicas e a instalar placas de advertência, restringindo o acesso ao trecho afetado por precaução.
Segundo o laudo, o nitrato de cobre é um sal inorgânico que, ao entrar em contato com a água, libera íons cobre e nitrato. Para o diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Francisco Kelmo, o grande problema não é o nitrato, que causou aquele cheiro de amônia, mas o cobre. “O cobre, embora seja um metal essencial em pequenas quantidades e importante para os processos biológicos, em concentrações elevadas se torna tóxico”, afirmou.
Kelmo detalhou ainda que nos invertebrados marinhos, a primeira coisa é a mortalidade aguda, citando registros de siris, camarões e peixes mortos na praia. “Os animais que sobrevivem podem sofrer danos permanentes ao sistema respiratório e ao sistema excretor”, disse. Sobre os organismos mais jovens, o pesquisador alertou que além de haver uma mortalidade significativa, ocorre alteração na taxa de crescimento e comprometimento reprodutivo.
Riscos para a saúde humana
O especialista também chamou atenção para riscos à saúde humana. “O contato com a água do mar pode trazer dermatite, irritações na pele e também irritação nos olhos”, afirmou. Ele acrescentou que a ingestão acidental da água do mar vai contaminar a pessoa com o cobre. Ele apontou também riscos para o consumo desses animais. “Não se deve comer o animal que tenha sofrido contaminação pelo cobre, porque a substância não é digerida pelo corpo humano”, afirmou.
Em nota, o Terminal Itapuã informou que colabora com as investigações, contratou especialistas para analisar o caso e afirmou que as substâncias encontradas não seriam compatíveis com os produtos que opera atualmente. A empresa também defendeu a apuração do histórico da área, cobrou relatórios da antiga proprietária e declarou atuar conforme a legislação ambiental, aguardando a conclusão das análises técnicas.
O Inema informou que segue monitorando a área e avaliando os resultados para definir possíveis medidas ambientais. O Taktá solicitou ao órgão o laudo técnico com a concentração das substâncias na água e aguarda resposta.
*sob a supervisão do jornalista Thiago Conceição.







