Em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) criticou as sanções unilaterais dos Estados Unidos e alertou para o aumento do autoritarismo no mundo.
Lula afirmou que “o multilateralismo está diante de nova encruzilhada” e que a “autoridade” da ONU está “em xeque” diante de “concessões à política do poder, atentados à soberania, sanções arbitrárias”.
Para Lula, há um “evidente paralelo” entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. Ele disse que “o autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades” e que as consequências são trágicas quando a sociedade internacional hesita na defesa da paz e do direito. O presidente mencionou que, no Brasil, “forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades”, mas que o país optou por “resistir e defender sua democracia”.
O presidente se referiu às sanções econômicas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil, que aplicou uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros importados pelos EUA. Ele também criticou a tentativa de interferência no Judiciário brasileiro. Em julho, Trump aplicou a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo norte-americano também cancelou o visto de diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo brasileiro reagiu com “profunda indignação” ao anúncio de sanções contra a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e afirmou que o país “não se curvará a mais essa agressão”.







