Lula cobra Macron e Meloni sobre assinatura de acordo entre Mercosul e UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou, nesta terça-feira (16/12), que o presidente da França Emmanuel Macron e a primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni “assumam a responsabilidade” para que a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) aconteça neste sábado (20/12), em Foz do Iguaçu (PR).

“Eu espero que o meu amigo Macron [presidente da França] e a primeira-ministra Meloni da Itália assumam a responsabilidade. No sábado agora, eu estou indo para Foz do Iguaçu fazer uma reunião da Unasul com a participação da União Europeia. Eu espero que eles tragam a boa notícia de que vão assinar o acordo e que não vão ter medo de perder competitividade com o povo brasileiro”, disse Lula.

A expectativa do governo brasileiro é de finalizar o acordo de livre comércio — que está em negociação há 26 anos — no sábado, quando o país sedia a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Paraná. No entanto, tanto o governo francês quanto o italiano tem demonstrado resistência em relação ao tratado com receio de prejudicar o setor agrícola dos países europeus.

No domingo (14/12), a França solicitou à UE o adiamento dos prazos estabelecidos para esta semana para a assinatura do documento. A Comissão Europeia precisa obter a aprovação dos Estados-Membros da UE até sexta-feira (19/12).

O titular do Planalto afirmou que os dois blocos estão dispostos a assinar o acordo, mas que Macron está “muito preocupado” com produtores rurais franceses por medo de que eles percam competitividade na disputa com o Brasil. “Não estão querendo fazer o acordo agora porque o povo está muito rebelde na França”, brincou Lula.

“Mesmo eu dizendo para ele que o Brasil não compete com os produtos agrícolas da França. Na verdade, são coisas diferentes, são qualidades diferentes. E nós estamos cedendo mais do que eles”, afirmou o chefe do Executivo.

As declarações foram dadas durante a 10ª Reunião do Conselho de Participação Social. O órgão, criado em 2003, assessora a Presidência da República no diálogo com organizações sociais. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol-SP), também participou da agenda.

Proteção ao agro

Nesta terça, o Parlamento Europeu aprovou uma série de mecanismos de salvaguarda e medidas de proteção para o setor agropecuário do bloco.

Em linhas gerais, o pacote aprovado pelo órgão legislativo é mais rígido do que a proposta original apresentada pela Comissão Europeia – órgão executivo da UE – em setembro.

O objetivo da medida é permitir que os benefícios tarifários do Mercosul possam ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso seja necessário para proteger setores do agro na Europa.

Após a aprovação das salvaguardas, os parlamentares agora têm de negociar um acordo com o Conselho Europeu (grupo de governos da UE), que havia aprovado a versão anterior do projeto. O órgão se reunirá ainda nesta semana, na quinta e na sexta.

Expectativas mais otimistas davam conta de que o acordo entre Mercosul-UE pudesse ser aprovado ainda nesta semana. Caso isso aconteça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajará ao Brasil para participar da Cúpula do Mercosul e assinará o acordo junto com o presidente Lula.