O influenciador digital Hytalo Santos e o marido dele, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, foram oficialmente denunciados e se tornaram réus pelos crimes de produção de conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes, segundo decisão da 2ª Vara Mista de Bayeux, na Paraíba. A denúncia foi aceita nesta terça-feira (23), durante a mesma sessão em que o Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva do casal.
De acordo com o Ministério Público da Paraíba (MPPB), os dois são investigados ainda por tráfico de pessoas, favorecimento à prostituição e exploração sexual de vulneráveis. As apurações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apontam para um esquema estruturado e premeditado, voltado à exploração sexual de adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Segundo o MPPB, Hytalo e Israel atraíam as vítimas por meio de promessas de fama, benefícios financeiros e vantagens materiais. Em alguns casos, eram realizados procedimentos estéticos e tatuagens com conotação sexual, além de rígido controle sobre a rotina e os meios de comunicação dos adolescentes.
As vítimas eram inseridas em conteúdos para redes sociais, gerando material que foi considerado pela Justiça como pornografia infantil. O Ministério Público também solicitou uma indenização por danos coletivos no valor de R$ 10 milhões.
Prisão e julgamento
O casal foi preso em São Paulo no dia 15 de agosto e posteriormente transferido para o Presídio do Róger, em João Pessoa, onde permanece detido desde o dia 28 do mesmo mês.
Durante julgamento realizado na Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), os desembargadores decidiram por unanimidade manter a prisão preventiva. O relator do caso, desembargador João Benedito, afirmou que a detenção é necessária para garantir a coleta de provas e proteger o andamento das investigações.
“Entendo que é necessário manter a prisão pelo menos por enquanto, para que a produção de provas não seja prejudicada”, declarou o relator durante a sessão.
Defesa contesta decisão
Os advogados de Hytalo e Israel alegaram que a prisão se baseia em matérias jornalísticas e não em provas concretas, e defenderam que o deslocamento do casal para São Paulo não configurou tentativa de fuga.
Eles destacaram que ambos têm residência fixa, não possuem antecedentes criminais e que Israel teria sido preso sem individualização de conduta, apenas por ser marido de Hytalo.
Pedidos anteriores de liberdade já haviam sido negados por uma juíza de plantão e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).







