Duas semanas após ser encontrado em condições degradantes de trabalho em uma fazenda na região de Piabinha, zona rural de Itabuna, um homem de 52 anos foi oficialmente resgatado. O caso só veio a público nesta quarta-feira, 23 de julho, após a confirmação do pagamento das verbas rescisórias pelo empregador. A identidade da vítima não foi divulgada.
Segundo os auditores do Ministério do Trabalho e a procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT), que estiveram na propriedade, o trabalhador vivia em um barraco precário, sem acesso a água potável. Apesar de diversas irregularidades atingirem outros empregados da fazenda, apenas esse caso foi enquadrado como trabalho análogo à escravidão.
Durante a fiscalização, também foram constatadas falhas graves no uso e armazenamento de agrotóxicos. Os produtos eram deixados expostos e aplicados sem qualquer equipamento de proteção. Nenhum dos trabalhadores da propriedade tinha acesso a botas, luvas ou ferramentas adequadas.
O trabalhador resgatado recebeu os valores correspondentes ao tempo de serviço e terá direito ao seguro-desemprego especial por três meses. Ele foi acolhido por familiares e está sendo acompanhado pela rede municipal de assistência social de Itabuna, com apoio da Comissão Estadual de Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas (Coetrae), que articula ações para sua reinserção no mercado de trabalho.
O MPT ainda negocia com os responsáveis pela fazenda a assinatura de um termo de ajuste de conduta. O documento deve incluir a obrigação de não reincidir na prática de condições degradantes e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.







