Dismorfia corporal: transtorno faz da beleza uma prisão e afeta saúde

“Hoje, meu corpo pareceu estranho”, desabafou Gizelly Bicalho em vídeo nas redes sociais. “Eu me olhei no espelho e me vi maior, errada, exagerada… Mas, no fundo, eu sei que isso é distorção”. A fala da ex-BBB, que viralizou no Instagram, traz à tona um tema delicado e urgente: a dismorfia corporal ou transtorno dismórfico corporal (TDC), condição que vai muito além de uma simples insatisfação com a aparência. Assista ao vídeo.

De acordo com a psicanalista Bruna Barros, o TDC é caracterizado por uma preocupação excessiva com supostos defeitos no corpo ou no rosto — falhas, muitas vezes, invisíveis aos outros, mas que se tornam obsessivas para quem sofre. “A pessoa sente angústia real e passa a evitar situações sociais por medo de julgamentos. Isso compromete a autoestima e pode desencadear quadros de ansiedade, depressão e até isolamento”, explica.

Esse transtorno psicológico se manifesta por meio de comportamentos compulsivos, como passar horas na frente do espelho, fazer comparações constantes com outras pessoas ou buscar mudanças físicas repetidamente, muitas vezes por meio de dietas restritivas ou cirurgias plásticas.

 

foto colorida mulher se olhando no espelho com dismorfia corporal
Esse transtorno pode impactar a saúde mental de diversas maneiras, desencadeando ou agravando quadros de ansiedade, depressão e isolamento social

A psicóloga e psicanalista Silvia Oliveira destaca que o tratamento costuma envolver abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a reformular os pensamentos distorcidos sobre o corpo. “Também trabalhamos com a aceitação da imagem corporal e o redirecionamento da atenção para valores e ações que tragam bem-estar real, e não a perfeição estética”, diz.

Nas redes sociais, esse cenário se intensifica. Filtros, edições e padrões de beleza inalcançáveis expõem as pessoas — especialmente as mais novas — a comparações constantes. Silvia alerta: “A cultura da estética perfeita agrava a insegurança. Há um perfil mais vulnerável, sim — pessoas com baixa autoestima, traumas ou histórico familiar de transtornos relacionados à imagem”.

Mulher depois de um tratamento ou cirurgia no rosto. Médica avalia. Metrópoles
Profissionais alertam que intervenções estéticas não podem ser uma válvula de escape emocional

A cirurgiã plástica Luiza Hassan, que lida diretamente com pacientes insatisfeitos com a aparência, reconhece os sinais. “A gente percebe quando há uma distorção. São pacientes que já fizeram vários procedimentos, mas continuam insatisfeitos. Valorizam demais supostos defeitos e buscam resultados irreais, muitas vezes baseados em fotos de redes sociais”, afirma.

Segundo a médica, é papel do cirurgião identificar esses casos e agir com responsabilidade. “É preciso escutar, avaliar com empatia e, se necessário, encaminhar o paciente para um psicólogo ou psiquiatra. As intervenções estéticas não podem ser uma válvula de escape emocional”, defende.

Apesar de silencioso, o transtorno dismórfico corporal precisa ser tratado com a seriedade que exige. As especialistas concordam que reconhecer os sinais, procurar ajuda especializada e, acima de tudo, entender que a aparência não define o valor de ninguém, são passos fundamentais para quebrar esse ciclo.

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