A cada edição do Oscar, apaixonados por cinema e por moda aguardam a premiação de Melhor Figurino, que elege as melhores produções de roupas e vestimentas apresentados pelos filmes que se destacaram ao longo do ano. Cercados de técnicas e simbologias, os figurinos de cinco longas-metragens foram indicados ao Oscar 2026, como revelado na manhã desta quinta-feira (22/1). O prêmio será entregue no dia 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Vem saber mais!
Frankenstein
No longa-metragem dirigido por Guillermo del Toro, além do embate entre Victor Frankenstein e sua Criatura, a marcante Elizabeth Harlander se tornou uma peça-chave para o enredo. A personagem é um dos grandes destaques do filme por seus visuais exuberantes, com detalhes narrativos intrínsecos ao desenrolar da trama.
Parceira de longa data de del Toro, Kate Hawley foi a profissional responsável pela criação das roupas que dão o tom ao filme. A padronagem dos vestidos usados por Elizabeth Harlander se assemelha a aparência de besouros, fazendo alusão ao seu fascínio por insetos e pela natureza. Outros looks da personagem incluem referências à Noiva de Frankenstein (1935) e resgatam peças vintage do arquivo da Tiffany.
Apesar da aparência monstruosa, o diretor Guillermo del Toro guiou a caracterização da Criatura para revelar, também, um lado capaz de inspirar empatia. Para construir o look completo eram necessárias cerca de dez horas diárias na cadeira de maquiagem, em um processo que envolvia a aplicação de 42 próteses para dar forma ao monstro. Feito que rendeu uma indicação à Melhor Maquiagem e Penteado no Oscar 2026.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Filmes de época têm o figurino como importante instrumento de reconhecimento e pertencimento. Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, os visuais usados por Jessie Buckley e Paul Mescal vão além disso, servindo como símbolos narrativos que dão profundidade à história da família de William Shakespeare.
O figurino, assinado por Malgosia Turzanska, traduz em cores, cortes e designs temas como luto, arte, amor e pobreza. Ambientado no fim do século 16, Hamnet mostra a desigualdade social da Inglaterra durante a peste bubônica, e os visuais retratam com maestria o cenário de desesperança, com paletas acinzentadas e sujas.
No meio de todo o caos, o vermelho e o laranja do visual usado por Agnes, esposa de Shakespeare, mostra um respiro apaixonado. Rebelde e aventureira, a personagem usa a peça por quase todo o filme, mas a chegada de infortúnios fazem o tom alegre ser sobreposto por cores apagadas e foscas. Aos poucos, Agnes se camufla com o ambiente de tristeza.
Marty Supreme
Em Marty Supreme, os figurinos de Miyako Bellizzi situam o espectador na Nova York dos anos 1950. Inspirados pelos gângsters e outras figuras de poder da época, os trajes refletem a personalidade confiante, ousada e ambiciosa do protagonista Marty Mauser.
Foi necessária uma equipe de cinquenta pessoas para confeccionar os figurinos do zero, baseados em referências da década de 1950 do bairro americano Lower East Side. A figurinista Miyako Bellizzi trabalhou com ternos com modelagem quadrada e ombreiras volumosas para retratar o caráter do protagonista.
Já para a personagem interpretada por Gwyneth Paltrow, Bellizzi deu um destaque especial para looks luxuosos que fazem conexão com grifes de moda em ascensão na época, como Dior e Balenciaga.
Pecadores
Muita gente foi ao cinema assistir a Pecadores sem saber do que o filme se tratava, e a surpresa é responsável pelo fenômeno que a produção se tornou. Parte dessa construção se deve ao figurino assinado por Ruth E. Carter, que começa retratando um ambiente já conhecido nos anos 1930 — o interior do sul norte-americano — e se transforma em um cenário digno de filme de terror.
Roupas de época e feitas à mão
A moda feita à mão garante verossimilhança à época e ao cenário. Os figurinos misturam looks de festa com o de trabalhadores do campo, o que seriam opostos na teoria, mas se unem em uma grande festa em Pecadores. Carter afirma que grande parte dos visuais tiveram inspirações em pinturas da época, já que as fotografias eram limitadas em questão de cores e texturas.
No filme, Michael B. Jordan interpreta dois personagens, os irmãos Smoke e Stack. Os figurinos foram essenciais para que o público conseguisse diferenciar os gêmeos, que dividem tela em grande parte do filme. De um lado, um homem vaidoso, que manda fazer seus ternos em Chicago e escolhe cuidadosamente a combinação de camisa e gravata. De outro, um personagem que se importa menos com o visual, repetindo conjuntos e usando roupas mais largas.
Avatar: Fogo e Cinzas
O filme Avatar: Fogo e Cinzas conta com a profissional Deborah Scott no departamento de figurino. Para ela, foi fundamental evidenciar visualmente as diferentes comunidades que habitam o universo do longa. Essa distinção se constrói, sobretudo, a partir das paletas de cores atribuídas a cada grupo, que transitam entre tons terrosos, quentes e a ampla variação de azuis.
Materiais como penas, folhas e couro rústico foram usados para criar capas e vestimentas para os personagens, enfeitadas com padronagens e arabescos. Apesar do grande uso de CGI no filme, a riqueza em detalhes e o realismo dos figurinos e da direção de arte aproximam o espectador da trama.
Oscar 2026
A cerimônia do Oscar acontece no dia 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na premiação, a coluna Ilca Maria Estevão irá participar da transmissão ao vivo do Metrópoles para comentar os melhores looks do tapete vermelho. Fique ligado!





















