Um dos grandes nomes da escultura brasileira, Sergio Camargo, terá sua trajetória celebrada em uma mostra inédita em Brasília. Organizada pelo Metrópoles, a exposição ocupa o Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional, transformando o espaço em um mergulho na obra do artista. A partir de 3 de dezembro, com entrada gratuita, o público poderá explorar de perto a força e a poesia que marcaram a produção de Camargo.
A exposição É Pau, É Pedra…, é uma realização do Metrópoles, que se consolida, ano após ano, como incentivador da cultura brasileira. Desta vez, o projeto ocupa um espaço carregado de simbolismo: o Foyer da Sala Villa-Lobos, no imponente Teatro Nacional de Brasília. A partir de 3 de dezembro, o público poderá visitar gratuitamente a exposição, que segue em cartaz até 25 de fevereiro.
Conheça a trajetória de vida e arte de Sergio Camargo:
1930 — Sergio de Camargo nasceu no Rio de Janeiro, em 1930, em uma família profundamente ligada à cultura. Seu pai, Manuel de Camargo, era escritor, crítico de arte e diplomata — um intelectual respeitado, que influenciou diretamente o olhar do filho para o mundo das artes.
Anos 1940 — Durante a adolescência, Sergio cresceu entre livros, debates e exposições e conviveu com artistas que circulavam pelo ambiente intelectual de seu pai. Esse contato precoce com arte moderna alimentou seu interesse inicial pela criação visual.
1948–1950 — Ainda jovem, viaja para a Argentina, onde tem contato com discussões sobre estética moderna e o papel da arte na América Latina. A experiência amplia sua visão e desperta seu desejo de vivenciar a arte além do Brasil.
Início dos anos 1950 — De volta ao Brasil, experimenta pintura, desenho e escultura. Nesse período, ainda oscila entre linguagens, sem uma direção definida, mas a geometria já começa a aparecer como interesse consistente.

1953 — Aos 23 anos, muda-se para Paris, centro pulsante da arte moderna. Ali frequentou a Sorbonne e museus, entrou em contato com o construtivismo europeu e assistiu de perto ao legado de artistas como Brancusi, Arp e Mondrian, que o marcaram profundamente.
Esse período desperta sua consciência de que a forma, a luz e o volume podem ser tratados com radical simplicidade.
1954–1956 — Ao voltar, busca estabelecer seu caminho na produção artística brasileira. Trabalha com gesso, madeira, desenho e pintura. É um período de busca intensa, sem obras definitivas, mas cheio de ensaios que o levariam à sua linguagem futura.
1957 — Sente necessidade de aprofundar sua formação e retorna a Paris. É aqui que se aproxima definitivamente das ideias construtivistas e começa a observar de perto movimentos como o minimalismo nascente.
1958–1962 — Embora não participe formalmente do Concretismo ou Neoconcretismo brasileiro, Camargo faz parte do circuito e do debate. Participa de exposições, conhece artistas e começa a desenvolver uma estética marcada pela ordem, pelo ritmo e pela repetição — conceitos que o acompanharão para sempre.

1963 — Sergio cria seus primeiros relevos em madeira branca, feitos com pequenos fragmentos cilíndricos e blocos. Essas peças são consideradas um marco na escultura brasileira. Obras que investigam a luz como matéria e transformam superfícies em campos vibratórios.
1965 — Participa da Bienal e recebe atenção destacada da crítica brasileira. A partir daí, passa a ser visto como referência da arte construtiva nacional.
Final dos anos 1960 — Exibe em galerias da França, Alemanha, Suíça e Inglaterra. Estabelece relações com galeristas que futuramente representarão sua obra em escala global.
1970 — Após quase uma década na Europa, volta ao Rio de Janeiro. Cria um ateliê próprio e passa a desenvolver obras de maior escala, renovando suas pesquisas em madeira, mármore e bronze.
1975–1979 — Museus estrangeiros começam a adquirir suas obras, levando seu nome para o circuito global. Ingressou em coleções europeias e norte-americanas, afirmando seu lugar na escultura mundial.

Anos 1980 — Camargo passa a trabalhar com mármore de Carrara em grande escala, criando peças de grande peso visual e físico. Nesse momento começa a receber encomendas importantes, além de participar de mostras individuais e coletivas. Sua obra adquire dimensões arquitetônicas, tornando-se parte de projetos públicos e privados.
1990 — Morreu no Rio de Janeiro, aos 60 anos, no auge de sua maturidade artística. Mesmo com uma vida relativamente curta, deixou uma produção sólida, internacionalmente reconhecida e de grande impacto.







