Carlos Falcão diz que gargalos estruturais e burocráticos são desafios para o desenvolvimento econômico da Bahia

A Bahia se destaca como um Estado repleto de oportunidades, seja na indústria, no comércio ou no turismo. No entanto, gargalos estruturais e burocráticos ainda representam desafios significativos para o desenvolvimento econômico. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104,3 FM) – comandado pelos jornalistas Matheus Morais e Osvaldo Lyra-, o líder do Grupo Business Bahia (GBB), Carlos Falcão, abordou, nesta quinta-feira (3), os entraves que dificultam o avanço do setor produtivo baiano.

Entre os principais problemas, ele apontou a burocracia excessiva, a falta de infraestrutura adequada e a necessidade de maior previsibilidade para os empresários. “A Bahia é um celeiro de oportunidades. Riquezas naturais fantásticas, turismo maravilhoso, mas ainda enfrentamos muitas barreiras que impedem que o Estado avance no ritmo que poderia”, destacou Falcão.

Infraestrutura e gargalos logísticos
Outro desafio apontado por Falcão é a deficiência na infraestrutura baiana, que impacta diretamente o setor produtivo. “A Bahia tem potencial para se consolidar como um dos maiores polos de energia limpa do país, mas precisamos resolver questões básicas, como infraestrutura de transporte e logística”, pontuou.

“Se não tivermos rodovias e ferrovias de qualidade, teremos dificuldades para escoar a produção e atrair ainda mais investimentos”, alertou.

Entre os grandes projetos aguardados está a ponte Salvador-Itaparica, que promete melhorar o fluxo entre a capital e o interior do Estado. “A ponte é um investimento de R$ 10 bilhões que, se realmente sair do papel, pode transformar a economia regional. Mas precisamos de mais projetos concretos, com menos burocracia e mais eficiência na execução”, disse.

Chegada da BYD e potencial industrial da Bahia
Um dos temas debatidos na entrevista foi a chegada da BYD ao Polo Industrial de Camaçari, após a desativação da Ford. Para Falcão, a instalação da gigante chinesa representa uma oportunidade única para reaquecimento do setor industrial baiano.

“Quem acompanha a economia do Estado viu a perda grande que tivemos com a saída da Ford. Agora, a chegada da BYD é um alento. A empresa está crescendo de forma expressiva no mundo inteiro e pode trazer um impacto positivo para Camaçari e região”, avaliou.

Apesar do otimismo com novos investimentos, ele ponderou que desafios logísticos ainda precisam ser resolvidos para garantir que a Bahia aproveite todo o potencial industrial.

“Temos uma malha viária defasada, portos que precisam de modernização e custos elevados para escoamento da produção. Isso são pontos que travam o crescimento do Estado”.

Energia limpa e setor minerador
Apesar das dificuldades, o líder do Business Bahia ressaltou que há setores promissores que podem alavancar a economia baiana. “Temos muitas oportunidades na mineração e na energia limpa. A Bahia tem condições de ser referência nessas áreas, mas ainda falta um direcionamento mais claro do poder público para facilitar investimentos”, apontou Falcão.

Ele destacou que, além de incentivos fiscais, é necessário garantir um ambiente de negócios mais previsível e seguro para os empresários. “Os investidores querem regras claras e segurança jurídica. Se tivermos isso, a Bahia pode crescer muito nos próximos anos”, concluiu.

Futuro econômico da Bahia
Diante dos desafios e oportunidades, Carlos Falcão enfatizou que é necessário um esforço conjunto entre setor privado e governo para garantir um futuro econômico mais próspero para a Bahia. “Precisamos parar de ser o Estado do futuro e começar a ser o Estado do presente. Temos riquezas e potencial, mas precisamos de menos burocracia, mais infraestrutura e um ambiente mais favorável aos negócios”, finalizou.

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