Brasil Reduz Mortes Por Aids, Mas Desigualdade Ainda Compromete Resposta Ao HIV

O novo Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostra avanços importantes no país, mas também evidencia desigualdades que dificultam o combate a doenças.

O documento mostra que o Brasil registra queda nos casos de aids e na mortalidade pela doença, apesar de apresentar uma leve alta nas novas infecções por HIV — aumento que o governo atribui à ampliação da testagem.

Os casos de aids seguem em queda: passaram de 37.527 para 36.955 no mesmo período, uma redução de 1,5%. A mortalidade pela doença teve a queda mais expressiva, 12,8%, chegando a 9.157 óbitos — o menor índice da série histórica. Para o Ministério da Saúde, o resultado reflete o início precoce da terapia antirretroviral, a supressão viral e o fortalecimento das ações de prevenção.

Em 2024, foram notificadas 39.216 infecções pelo HIV no território nacional, número acima das 38.222 registradas em 2023. O Ministério da Saúde explica que a expansão dos testes, que saltaram de 11 milhões em 2023 para 17,5 milhões em 2024, contribui para identificar diagnósticos que antes não entravam no sistema.

A pasta afirma que a tendência é compatível com a redução simultânea de óbitos e de casos graves. O boletim, porém, chama atenção para as desigualdades entre faixas etárias, regiões e grupos raciais. Jovens de 20 a 29 anos concentram a maioria dos novos diagnósticos entre homens, enquanto pessoas com 50 anos ou mais registram crescimento proporcional nas infecções — especialmente mulheres. A desigualdade racial também se repete: quase 60% das novas infecções atingem pessoas negras.

Na Bahia, o boletim aponta discrepâncias no acompanhamento de crianças expostas ao HIV. O estado registrou menos notificações de bebês expostos do que o esperado em relação ao número de gestantes com diagnóstico confirmado, o que indica possíveis falhas. Esse cenário é visto como um alerta para reforço da rede de cuidado materno-infantil.

“Por outro lado, Roraima, Amazonas e Bahia registraram razões inferiores, indicando menor número de crianças expostas notificadas em
relação às gestantes”, informa o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025. Sendo 58,9%, descrevendo sendo 43 crianças expostas para 73 gestantes, 63,1%, sendo 185 crianças expostas para 293 gestantes e 78,0%, sendo 340 crianças expostas para 436 gestantes, respectivamente conforme os estados citados acima.

“As discrepâncias entre o número de gestantes, parturientes ou puérperas e de crianças expostas notificadas sugerem inconsistências nos fluxos de vigilância e notificação”, diz no texto do Boletim.

O documento também mostra que o Brasil mantém indicadores compatíveis com a eliminação da transmissão vertical — quando o vírus passa da mãe para o bebê — como problema de saúde pública. O país registra taxa inferior a 2% e mais de 95% de cobertura de pré-natal, testagem e tratamento entre gestantes vivendo com HIV. Mesmo assim, persistem desafios como diagnóstico tardio e atrasos no início da profilaxia em recém-nascidos, que ainda ocorreram em parte dos casos analisados.

O governo também divulgou pela primeira vez a estimativa acumulada de pessoas vivendo com HIV ou aids desde 1980: 1,67 milhão de brasileiros. Entre as capitais, Salvador figura entre as que concentram maior volume de registros no período de 2014 a 2024.

Mesmo com avanços expressivos no diagnóstico, na prevenção e no tratamento, o boletim destaca que o país ainda enfrenta desigualdades regionais e sociais que impactam no acesso ao cuidado.