Brasil Não Aceitará “ofensas De Ninguém”, Diz Lula Sobre Relações Com Os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu nesta terça-feira (26) a segunda reunião ministerial de 2025 e fez um discurso enfático sobre a política externa do país. Ao se referir às tarifas impostas pelos Estados Unidos, o presidente orientou seus ministros a defenderem a soberania do Brasil, afirmando que o governo não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”.

Apesar de considerar a decisão do presidente Donald Trump “descabida”, Lula garantiu que o governo brasileiro permanece aberto para negociações comerciais, mas em pé de igualdade. “Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fôssemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém”, declarou. O presidente também pediu que cada ministro “faça questão de retratar a soberania desse país” em seus discursos.

A tensão entre os países se intensificou após a nova política comercial da Casa Branca, que impôs barreiras alfandegárias a diversos parceiros. No dia 2 de abril, o governo Trump aplicou uma taxa de 10% ao Brasil. No entanto, em 6 de agosto, uma tarifa adicional de 40% foi imposta como retaliação a decisões brasileiras que, segundo os EUA, prejudicariam as big techs estadunidenses, além de uma resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, explicou que 23,2% das exportações brasileiras para os EUA já são taxadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, que se aplica a quase todos os países. Para produtos como aço, alumínio e cobre, por exemplo, a tarifa é de 50%, e para automóveis e autopeças, 25%. O restante, 41,3% das exportações, possui uma tarifa de 10%.