A Anistia Internacional anunciou que vai denunciar o presidente da Argentina, Javier Milei, perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Organização das Nações Unidas. Neste final de semana, Milei ofendeu nominalmente um grupo de jornalistas, entre outros termos, sugerindo que os opositores deveriam “queimar na fogueira”.
A denúncia feita pela Anistia Internacional é em decorrência das declarações hostis e desqualificações públicas dirigidas aos profissionais da imprensa. O estopim para a representação internacional ocorreu durante o discurso de Javier Milei, no último sábado (24), em uma fundação de promoção de ideias de liberalismo econômico.
Milei estava criticando as investigações jornalísticas sobre o chamado “caso $LIBRA”, envolvendo a promoção supostamente indevida de uma criptomoeda local. Milei atacou nominalmente os comunicadores, com diversos xingamentos e disse que seus opositores tinham que “queimar na fogueira”.
De acordo com levantamento do Fórum de Jornalismo Argentino, a Argentina registrou 278 ataques contra jornalistas apenas no ano passado. Uma alta de 55% em relação ao período anterior. O próprio presidente da República Argentina é o autor direto de 119 agressões e atos hostis.
Entidades de defesa dos direitos humanos alertam que o uso do cargo de poder para intimidar profissionais da imprensa afeta diretamente as garantias institucionais da liberdade de expressão. Que a prática eleva os riscos à integridade dos jornalistas, encoraja a autocensura e restringe o direito da sociedade de se manter informada.
Na nota, a Anistia Internacional enfatizou que questionar matérias faz parte do debate público. Entretanto, a utilização do cargo de presidente para hostilizar o livre exercício do jornalismo fere os direitos humanos fundamentais.







