O senador Flávio Bolsonaro (PL) admitiu não ter provas de fraude nas eleições de 2026 e justificou sua saída do Brasil por supostas perseguições políticas, criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) além de falar sobre seus planos eleitorais para 2030. As declarações foram dadas durante uma entrevista à Folha de S. Paulo, conduzida pelo jornalista Glenn Greenwald, nos Estados Unidos na sexta-feira (06).
Ao explicar por que deixou o país, Flávio afirmou que teme não ter um julgamento justo no Brasil. Ele comparou sua situação à do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão, e à do irmão Eduardo Bolsonaro, que também está nos Estados Unidos.
“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil. Entendi que precisava me proteger. Não tenho preocupação de ser investigado, mas no Brasil não são investigações, são perseguições”, declarou.
O senador também acusou o STF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal de estarem aparelhados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio admite falta de provas sobre fraude eleitoral
Um dos principais momentos da entrevista ocorreu quando Greenwald questionou o senador sobre as suspeitas de fraude nas eleições de 2026. Flávio reconheceu que não possui provas para sustentar as acusações e afirmou que não pretende levar o caso à Justiça.
“Não tenho provas de fraude. É por isso que não vou questionar isso na Justiça brasileira, porque não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, afirmou.
Apesar da declaração, ele voltou a questionar o processo eleitoral, mencionando uma suposta interrupção de duas horas na votação e o aumento da votação de Lula no segundo turno. Segundo Flávio, não haveria explicação matemática para o crescimento de mais de 10 milhões de votos do adversário.
O senador também defendeu a adoção do voto impresso como mecanismo de auditoria das urnas eletrônicas e citou os sistemas eleitorais do Paraguai e da Venezuela como exemplos.
“O eleitor médio tem o direito de ter a certeza de que o voto que ele dá chega no candidato que ele escolheu. Por que a resistência a ter um comprovante impresso para auditagem?”, questionou.
Senador volta a atacar Alexandre de Moraes
Flávio também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele acusou o magistrado de perseguição política e questionou supostas relações financeiras envolvendo a esposa do ministro e o Banco Master.
“A esposa dele recebeu R$ 129 milhões do Banco Master e a investigação foi arquivada. Quem vai investigar Moraes?”, declarou.
O senador defendeu o impeachment de Moraes e de outros ministros do Supremo que, na avaliação dele, descumpram a legislação. Também criticou o presidente do Senado por não dar andamento aos pedidos de impeachment apresentados contra integrantes da Corte.
Empresa, carta e planos para 2030
Questionado sobre como mantém sua vida nos Estados Unidos, Flávio afirmou que utiliza reservas pessoais e pretende atuar como advogado e empresário. Ele citou a Bravo Grafeno, empresa que, segundo ele, fabrica produtos com o mineral.
“Minha principal fonte de renda atualmente não é da política, é da iniciativa privada como advogado. Tenho uma empresa que faz produtos com grafeno, a Bravo Grafeno”, afirmou.
Durante a entrevista, Greenwald também questionou o senador sobre uma carta na qual ele teria se apresentado como o “verdadeiro eleito”. Flávio negou ter divulgado aquela versão do documento, mas reconheceu que um texto inicial havia vazado.
“Essa foi a primeira versão da carta que eu já vetei. Não sei por que essa carta acabou se tornando pública. A que eu publiquei nunca foi essa”, disse.
Sobre uma viagem aos Estados Unidos e a presença de um suposto agente israelense em um veículo, o senador evitou fornecer detalhes. “Não vou dar detalhes de absolutamente nada sobre isso. Não vou, porque as pessoas serão perseguidas se eu falar qualquer coisa aqui”, declarou.
Ao falar sobre o futuro político, Flávio revelou que considera disputar a Presidência da República em 2030, caso tenha interesse e conte com o apoio do partido. No entanto, afirmou que apoiará o pai se Jair Bolsonaro estiver elegível para concorrer.
“Em 2030, se eu tiver vontade e o meu partido concordar, eu também tenho vontade de ser candidato a presidente da República. Se ele ficar elegível, é o meu candidato”, afirmou.







