Em 40 anos, urbanização de favelas cresce e vegetação cai 34%

A área urbanizada de favelas mais que dobrou no Brasil em 40 anos, de acordo com dados do MapBiomas divulgados nesta quarta-feira (4), Dia Nacional das Favelas. Sete em cada dez dessas áreas perderam vegetação.

Em 1985, o país tinha 60,2 mil hectares de áreas urbanizadas em favelas e comunidades, número que saltou para 151,7 mil hectares em 2025. Aumento de 150% em área urbanizada, equivale a praticamente o tamanho da cidade de São Paulo.

As favelas estão distribuídas por 651 municípios brasileiros, segundo o MabBiomas. Das 12,3 mil favelas, quase 10 mil apresentavam área urbanizada em 1985, ou seja, tinham infraestrutura, como ruas com asfalto, calçadas, casas. Dessas, 42,4% pelo menos dobraram de tamanho. Mas a vegetação diminuiu 34% nesses territórios.

A participação das favelas na área urbanizada total do país passou de 3,2% para 3,4% nesses 40 anos. De acordo com coordenador do tema Urbano no MapBiomas, Julio Pedrassoli, a expansão da área urbanizada é maior nas favelas que nas áreas regulares.

“Quando a gente faz um recorte e olha para as áreas urbanizadas em favelas, ou seja, o que é favela dentro da cidade, elas obedecem mais ou menos à mesma lógica: elas continuam crescendo ao longo do tempo, mas o ritmo de crescimento vem diminuindo ao longo do tempo. Contudo, esse ritmo de crescimento diminui mais devagar, ou seja, as favelas ainda crescem mais rápido do que as áreas urbanizadas fora delas.”

Manaus lidera com 10,5 mil hectares de favelas urbanizadas distribuídos em 235 comunidades. Já o Distrito Federal tem as três maiores favelas do país: 26 de Setembro, Sol Nascente e Morro da Cruz. Juntas, elas somam 25,6 quilômetros quadrados, segundo o Censo 2022 do IBGE.

Em termos de população, Sol Nascente fica em segundo no ranking nacional, com 71 mil moradores. Atrás da Rocinha, no Rio de Janeiro, com 72 mil habitantes e a frente de Paraisópolis, em São Paulo, onde vivem 58 mil pessoas.