Por Larissa Pires*
A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, no último domingo (18), após complicações de um câncer de intestino, chama atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Conhecida por interpretar Roberta Messi na versão brasileira da novela Rebelde, a artista enfrentava um câncer nos últimos meses. A informação sobre o tipo da doença foi confirmada por familiares à imprensa.
O caso também reacende o debate sobre o câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no Brasil, no período de 2026 a 2028. Desse total, 26.270 devem ocorrer entre homens e 27.540 entre mulheres. A doença está entre os tipos de câncer mais incidentes no país.
Embora a idade seja um fator de risco, pessoas mais jovens também podem desenvolver câncer colorretal. Pesquisas publicadas na Revista Brasileira de Cancerologia, do INCA, investigam a ocorrência da doença em pacientes com menos de 50 anos. Para avaliar tendências nessa faixa etária, é necessário considerar dados específicos. Especialistas, no entanto, reforçam a importância de não ignorar sintomas persistentes, independentemente da idade.
Alimentação e atividade física ajudam a reduzir riscos
A oncologista clínica Mônica Kalile, explica que os hábitos de vida podem influenciar o risco de desenvolver câncer colorretal. Entre as medidas recomendadas estão manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras, legumes, grãos integrais e outros alimentos ricos em fibras.
“Uma das principais recomendações é manter uma dieta equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras, legumes e grãos integrais”, orienta a médica.
A especialista também recomenda limitar o consumo de carnes processadas, como bacon, presunto, linguiça e salsicha, e evitar o consumo excessivo de carne vermelha. A prática regular de atividade física é outro fator importante. A orientação apresentada pela médica é realizar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana e evitar longos períodos de sedentarismo.
Manter hábitos saudáveis, não fumar e evitar bebidas alcoólicas também pode contribuir para reduzir o risco. No entanto, a prevenção não depende exclusivamente do estilo de vida, já que fatores genéticos e o histórico familiar também podem influenciar o desenvolvimento da doença.
Sintomas não devem ser ignorados
O câncer colorretal pode se desenvolver a partir de pólipos, lesões que surgem na parede do intestino e que, em alguns casos, podem evoluir para tumores malignos. A identificação dessas alterações por meio de exames permite, em determinadas situações, retirar as lesões antes que se transformem em câncer.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento intestinal, dor abdominal recorrente, anemia sem causa aparente e perda de peso inexplicada. Em alguns casos, a doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais.
Segundo Mônica Kalile, um dos desafios no diagnóstico de pessoas jovens é que os primeiros sintomas podem ser atribuídos a condições benignas, como hemorroidas ou alterações funcionais do intestino. Isso pode atrasar a investigação.
“Em uma idade jovem, não deve ser motivo para desconsiderar sintomas persistentes”, alerta a oncologista. A recomendação é procurar avaliação médica diante de sinais suspeitos, sem esperar atingir determinada faixa etária.
Rastreamento e diagnóstico precoce
O rastreamento é realizado em pessoas sem sintomas, com o objetivo de identificar precocemente alterações que possam indicar a doença. A médica explica que a investigação pode começar com um exame de fezes capaz de detectar pequenas quantidades de sangue não visíveis a olho nu. Quando o resultado é positivo, a colonoscopia pode ser indicada para aprofundar a investigação.
Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, síndromes genéticas hereditárias ou determinadas doenças inflamatórias intestinais podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme avaliação individualizada.
É importante diferenciar o rastreamento de rotina da investigação de sintomas. Mesmo pessoas jovens devem procurar atendimento médico quando apresentam sinais persistentes ou alterações sem explicação aparente.
A adoção de hábitos saudáveis, a atenção aos sinais de alerta e o acompanhamento médico são medidas importantes para reduzir riscos e favorecer o diagnóstico precoce. Embora não seja possível evitar todos os casos, a prevenção e a identificação oportuna da doença podem fazer diferença no tratamento.
*com supervisão do jornalista Thiago Conceição.







