O Brasil Está Menos Desigual? Pesquisa Mostra Avanços, Mas Também Aponta Problemas

O Brasil apresentou melhora em 34 dos 48 indicadores analisados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades divulgado nesta terça (12). Na prática, isso significa que 7 em cada 10 indicadores acompanhados pelo estudo avançaram no último ano.

Os principais resultados positivos aparecem em áreas como renda média, mercado de trabalho, redução da pobreza, segurança alimentar e acesso a serviços básicos. Também houve melhora em indicadores de saúde, como a redução da desnutrição infantil e entre idosos, além da queda do analfabetismo e da taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos.

Apesar dos avanços, oito indicadores pioraram e seis permaneceram estáveis. Entre os pontos negativos estão o aumento da diferença de remuneração entre homens e mulheres, o agravamento da concentração de renda e uma menor progressividade da tributação, com redução proporcional da carga tributária conforme a renda aumenta.

O relatório também aponta condições mais desfavoráveis para a população negra e o aumento da concentração dos piores indicadores sociais nas regiões Norte e Nordeste. Para os responsáveis pelo estudo, os resultados mostram que os mecanismos responsáveis pela manutenção das desigualdades no país continuam presentes.

Dados de diferentes anos

Esta é a quarta edição do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, publicado pela primeira vez em 2023. A edição de 2026 reúne principalmente dados referentes a 2025, mas alguns indicadores utilizam informações de anos anteriores devido à periodicidade das pesquisas.

É o caso dos dados derivados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que acompanha gastos com transporte e carga tributária a cada dois anos. Outro exemplo é o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), cuja edição mais recente foi divulgada em 2024, seis anos depois da pesquisa anterior.

O relatório utiliza esses dados para acompanhar tendências e comparar a evolução dos indicadores ao longo das diferentes edições.

Onde o Brasil ainda precisa avançar

Apesar da melhora na maior parte dos indicadores, o estudo mostra que os avanços não ocorreram de maneira uniforme entre diferentes grupos da população.

As diferenças de renda, gênero, raça e território continuam entre os principais obstáculos para a redução das desigualdades no país. O relatório também chama atenção para a concentração dos piores resultados sociais nas regiões Norte e Nordeste.

No prefácio da publicação, a análise destaca que as médias nacionais podem esconder diferenças importantes entre grupos da população. Por isso, o avanço da maioria dos indicadores não significa que a desigualdade tenha sido reduzida de forma igual para todos.