Quando se fala em Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC, muita gente tem em mente comportamentos como manias de limpeza ou de verificar atividades várias vezes, repetidamente, ao longo do dia. Porém, o quadro se manifesta de várias formas, que vão além dos estereótipos. Um deles é o TOC de relacionamento, ou TOC-R.
Segundo o psicólogo, mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) André Machado, o que diferencia o TOC de relacionamento das inseguranças comuns que as pessoas sentem em uma relação é a intensidade e a persistência.
No TOC de relacionamento, dúvidas como se está no relacionamento ou com a pessoa certa não passam. “Elas se transformam em uma sequência contínua, repetitiva e profundamente angustiante. A pessoa não consegue soltar o pensamento. Fica analisando cada detalhe, cada conversa, cada sentimento, como se precisasse de uma certeza absoluta que nunca chega”, exemplifica.
O assunto, na visão do expert, não é muito debatido porque difere do que as pessoas associam ao quadro.
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do Metrópoles Vida & Estilo
Há ainda quem confunda com simples insegurança ou “frescura”. Além disso, o tema é relativamente recente no debate público. “Falamos com mais facilidade de ansiedade e depressão, enquanto o TOC de relacionamento permanece na sombra.”
Alguns sinais do TOC de relacionamento se manifestam em comportamentos como:
- As dúvidas passam a ocupar grande parte do dia, geram ansiedade intensa e começam a prejudicar o trabalho, o sono ou o relacionamento.
- A pessoa passa horas revisando conversas antigas, comparando o parceiro com outras pessoas, testando o próprio sentimento o tempo todo ou pedindo reafirmação constante.
- Gasta-se horas ruminando, checando, comparando e tentando se convencer de que está tudo bem. Esse processo é extremamente cansativo.
- O sono piora, a concentração no trabalho ou nos estudos diminui e o prazer das coisas simples começa a desaparecer. Até os momentos bons com o parceiro ficam contaminados pela dúvida constante.
- A qualidade de vida cai de forma significativa e a mente simplesmente não descansa. É como viver com um barulho contínuo na cabeça que impede de aproveitar a vida com leveza.
- A culpa, vergonha e a sensação persistente de que algo está errado consigo mesma são constantes. Muitos sentem que estão “estragando” o relacionamento ou que não merecem ser felizes.
- A ansiedade sobe, o humor desce e não é raro o surgimento de sintomas depressivos. Há quem comece a se isolar ou a evitar o próprio parceiro para não precisar lidar com as dúvidas. Trata-se de um sofrimento silencioso e profundamente solitário, porque a pessoa frequentemente tem medo de revelar o que realmente se passa em sua mente.
TOC-R afeta parceiros e deixa marcas
O parceiro, como era de se imaginar, também é afetado, sobretudo pela impressão de que nada do que faz é suficiente.
“Alguns começam a duvidar de si mesmos ou a se afastar emocionalmente como forma de proteção. O relacionamento fica tenso, porque um lado sofre com as dúvidas e o outro tenta responder a uma demanda que parece não ter fim”, pondera.
Caso se reconheça em um desses sinais, a indicação é buscar ajuda profissional.














