Setores atingidos por novo tarifaço pedem mais medidas de proteção

Os setores afetados pela nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos pedem mais medidas para se proteger dos impactos econômicos.

A Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, afirmou, em nota, que a nova decisão traz insegurança jurídica, reduz a previsibilidade das relações comerciais e compromete a competitividade das empresas brasileiras. Junto com a tarifa anterior de 25%, alguns produtos podem ser sobretaxados em 37,5%.

Por isso, pede ao governo federal agilidade na implementação do programa Brasil Soberano 3, adiamento de impostos, abertura de mercados e ampliação da alíquota do Reintegra para 5%. O Reintegra é um programa que devolve parte dos impostos pagos pela cadeia produtiva que exporta produtos. Atualmente, ele devolve apenas 0,1% desses valores.

Apesar do impacto causado pela nova taxação dos Estados Unidos, a Abimaq se colocou contra o uso da Lei de Reciprocidade.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados avalia que a nova tarifa “piora o que já estava ruim” e faz o mesmo pedido em relação ao Reintegra e ao Brasil Soberano. O setor deve ver as exportações aos Estados Unidos caírem mais de 7% por causa das sobretaxas.

Outro risco é o mercado doméstico. Segundo a Abicalçados, no primeiro semestre do ano, entraram no Brasil mais de 25 milhões de pares de calçados, aumento de 15%. Por isso, a entidade pede adoção de ações para conter o avanço dessas importações.

A Centrorochas, Associação Brasileira de Rochas Naturais, apontou que granitos, mármores e ardósias devem ter a sobretaxa de 37,5% na entrada nos Estados Unidos. Mesmo depois que a entidade demonstrou que a cadeia produtiva nacional não tem vínculo com práticas de trabalho forçado. A Centrorochas afirmou que seguirá em conjunto com o governo do Brasil e com o setor dos Estados Unidos para minimizar os impactos e manter o acesso ao mercado norte-americano.

O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, não descartou aplicar a reciprocidade e afirmou que o Brasil Soberano 3 já foi pensado para enquadrar quem viesse a ser atingido pela nova tarifa.

“A prioridade, neste momento, é acolher os setores atingidos. É prepará-los para a diversificação de mercados, prepará-los para o enfrentamento das questões legais, a interlocução com a contraparte nos EUA. Ou seja, a prioridade agora é acolher os setores, como é o caso do Brasil Soberano, preparar as manifestações que faremos junto à OMC e sentarmos para a discussão na mesa de negociação, no momento adequado, na hora certa.”

Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 12,5% contra 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, por supostas falhas em evitar importação de produtos feitos com trabalho forçado. A sobretaxa começou a valer nesta sexta-feira (24).

O governo brasileiro classificou a decisão como arbitrária e injustificada. O país classifica como crime não apenas o trabalho forçado, mas jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Segundo o governo, o país responsabiliza empresas e indivíduos, aplicando multas severas, além de manter o cadastro de “lista suja” de empregadores.