Estudantes com altas habilidades do Paranoá visitaram a exposição Constelações Contemporâneas, que conta com representatividade em peso da cena cultural de Brasília e é realizada pelo Metrópoles Arte em parceria com a Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF).
A atividade levou os jovens a cruzarem as portas de um importante patrimônio cultural que passou anos fechado, com a proposta de expandir horizontes, aproximar os alunos da produção artística local e reforçar a identidade cultural do Distrito Federal.
A exposição reúne trabalhos de 41 artistas brasilienses e serve como uma vitrine de possibilidades para os estudantes que já desenvolvem talentos nas salas de suas escolas.

Horizontes expandidos e sentimento de pertencimento
Para os professores que acompanharam a visita, o momento carregou um significado profundo de inclusão e incentivo curricular.
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do Metrópoles Vida & Estilo
A educadora Lucimar de Moreira, que leciona na sala de recursos de altas habilidades do Centro Educacional (CED) 03 do Paranoá, destacou o impacto de apresentar a exposição Constelações Contemporâneas e também o espaço do teatro aos jovens.
“A maioria desses estudantes nunca entrou aqui. Para eles, realmente é uma viagem, uma novidade que amplia todas as áreas, tanto de talento artístico quanto de exatas, porque a arte permeia tudo”, afirmou Lucimar.
A docente ressaltou que a presença de um artista da própria comunidade do Paranoá na exposição, Daniel Jacaré, foi um divisor de águas. Ela afirma que eles passam a se ver nesse local e a se apropriar culturalmente disso. O fato de o artista ter vindo da mesma realidade e estudado em escola pública eleva a autoestima e a criatividade dos alunos, gerando neles um profundo sentimento de pertencimento.
A importância de romper as barreiras geográficas da comunidade também foi defendida por Marina Magalhães, professora itinerante da sala de recursos de altas habilidades do Paranoá e Itapoã. Segundo ela, o passeio cumpre a missão de tirar o estudante de sua realidade imediata para enriquecer seu repertório.
“Abre oportunidades e expande horizontes para que eles se vejam em outros locais. É inspirador para o futuro, para que consigam se visualizar em outros ambientes além da comunidade onde estão inseridos”, explicou Marina.

Representatividade, cobogós e inspiração real
Se para os professores visitar Constelações Contemporâneas foi uma extensão pedagógica essencial, para os alunos o impacto foi traduzido em inspiração e conexão com as telas. A estudante Yasmin Ferreira, de 16 anos, que costuma desenhar, compartilhou o alívio e a alegria de se sentir incluída e representada no cenário cultural da capital.
“É uma sensação de que eu não estou excluída do mundo. Sei que, assim como eles, eu posso. Não preciso ser de um lugar mais reconhecido ou de outro país para ter minha arte reconhecida pelo público”, desabafou Yasmin.
A vivência prática estimulou os jovens a perceberem que as galerias de arte não são ambientes distantes ou intocáveis, mas sim espaços legítimos para a expressão de suas próprias identidades e vivências periféricas.

O papel transformador da escola pública
A democratização do acesso a esses espaços foi o ponto alto da atividade, demonstrando a força das ações escolares em descentralizar a cultura e oferecer acesso a lugares que os alunos nem sempre vão ter a oportunidade de comparecer. Para os estudantes, o ambiente escolar funciona como a principal ponte para a descoberta de novas referências e para o incentivo profissional.
Esse estímulo pedagógico atua diretamente na bagagem dos alunos, permitindo que eles conectem o aprendizado de sala de aula com os movimentos artísticos e urbanísticos que moldam a capital federal.
A estudante Maria Rita dos Santos conta que, no ano passado, participou de um intercâmbio na Escócia pelo programa governamental Pontes para o Mundo, e encontrou na mostra uma conexão direta com sua paixão pela arquitetura. Ela se encantou especialmente com os desenhos de Brasília feitos em giz pastel e as representações dos tradicionais cobogós.

“Sou muito apaixonada por cobogó porque acho uma questão muito mais sustentável; a gente não precisa da eletricidade que usa atualmente e podemos arejar e iluminar os locais sem essa necessidade”, avaliou Maria Rita. Ela também elogiou o papel transformador da escola pública ao democratizar o acesso à cultura.
Metrópoles Arte
A exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional Claudio Santoro com mais de 200 obras de Sergio Camargo. A mostra permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 a 13 de março de 2026.
O sucesso do projeto consolidou o espaço como um importante centro de difusão cultural e abriu caminho para novas mostras que valorizam a produção artística nacional e local.
A nova edição reafirma o compromisso do Metrópoles em fomentar a cultura local e ampliar o acesso do público a iniciativas culturais em espaços emblemáticos da cidade. O projeto reforça a relevância da arte contemporânea na construção da identidade cultural da capital e no reconhecimento de Brasília como um importante polo criativo do país.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De 19 de maio a 17 de julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 10h às 20h, com entrada gratuita












