entre a recuperação e o mito do “desinchaço”

A busca por uma saúde digestiva impecável colocou a glutamina no centro do debate nutricional. Frequentemente comercializada como um “super suplemento” capaz de blindar o organismo, a substância desempenha, de fato, um papel biológico importante. No entanto, o limite entre o benefício terapêutico e a promessa de marketing é tênue. Segundo a coloproctologista Aline Amaro, embora o aminoácido ajude na manutenção das células intestinais, ele está longe de ser uma cura milagrosa para o desconforto abdominal.

Entenda

  • Combustível celular: a glutamina é utilizada pelas células da parede intestinal para funcionamento e recuperação.
  • Ação em crises: estudos mostram benefícios na barreira intestinal após infecções ou quadros de irritação.
  • Mito do inchaço: não há base científica sólida que a aponte como solução universal contra gases e distensão.
  • Uso seletivo: a eficácia varia conforme o organismo; o uso deve ser individualizado e ter orientação médica.
Ilustração colorida de intestino entre as mãos de um homem - Metrópoles
A saúde do intestino pode desencadear problemas como acne e rosácea

O papel real na barreira intestinal

De acordo com a coloproctologista, o termo “fortalecer o intestino” precisa ser interpretado com cautela técnica. A glutamina é uma substância que o corpo já produz e utiliza em larga escala, servindo de fonte de energia para os enterócitos (células do intestino).

“Em situações onde o intestino está sensível ou irritado, como após uma infecção intestinal, existem estudos que mostram uma melhora no quadro geral e na integridade da barreira intestinal em comparação ao placebo”, explica a médica.

Contudo, Amaro ressalta que essa melhora não é uma regra matemática: “Os resultados em adultos variam muito. A ciência não sustenta a promessa de que a glutamina fortalecerá o intestino de qualquer pessoa em todo e qualquer contexto”.

A polêmica do inchaço abdominal

Se na integridade celular a glutamina tem seu mérito, no quesito “redução de medidas” ou alívio de gases, a história muda. A propaganda de que o suplemento seria um “desinchaçador” é vista com ceticismo pela medicina.

Segundo a especialista, o inchaço abdominal é multifatorial, podendo ser causado por prisão de ventre, intolerâncias ou fermentação excessiva de alimentos. “Não existe base sólida para dizer que a glutamina, sozinha, resolve o inchaço. Muitas vezes, o que realmente funciona é investigar a causa e ajustar a dieta”, pontua a coloproctologista.

Foto colorida de mulher loira tomando algo de uma garrafa vermelha - Metrópoles
Com acompanhamento profissional, a ingestão de glutamina pode ser benéfica à saúde

Estratégia alimentar vs. Suplementação

Para pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII), por exemplo, a ciência aponta caminhos mais eficazes do que a simples ingestão de aminoácidos. A estratégia de reduzir carboidratos fermentáveis (conhecidos como FODMAPs) costuma apresentar resultados muito mais consistentes na diminuição da distensão abdominal.

Glutamina e intestino: entre a recuperação e o mito do “desinchaço” - destaque galeria

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Sebastian Kaulitzki/Science Photo Library/Gettyimages

A glutamina pode, sim, entrar como um apoio em casos selecionados, mas nunca como uma solução isolada. “Como qualquer suplemento, o uso precisa ser individualizado e cauteloso, especialmente em pessoas que já possuem outras doenças associadas”, conclui Aline Amaro.

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