Segundo dados do Google Trends, a pesquisa por “o que é agamia” cresceu 250% nos últimos meses. Em 2024, aliás, o termo foi um dos mais procurados no Google, reforçando o interesse pela palavra que, apesar de estranha, tem uma definição bem simples.
A agamia é usada para designar pessoas que preferem não ter um relacionamento sério ou formal, comportamento que encontro espaço entre as gerações mais jovens, que, agora, não se preocupam apenas em ter um marido ou casamento, e sim em buscarem saúde mental e estabilidade financeira.
Ao Metrópoles, a psicóloga Juliana Gebrim explicou que, apesar de parecer, ser agâmico não é o mesmo que estar solteiro, uma vez que os adeptos da agamia não estar abertos a um novo relacionamento. E, ainda, não tem nada a ver com abstinência ou falta de sexo. “O agâmico opta por um estilo de vida sem as amarras tradicionais”, explicou.
Na visão da expert, o boom dessa orientação sexual se justifica por uma procura pela liberdade e pelo foco em outros pilares que podem trazer realização, como a carreira ou amigos. Padrões tradicionais já não fazem sentido para a gen Z.
“Com o foco maior no bem-estar individual e a facilidade de criar conexões não convencionais por meio de redes sociais e aplicativos, alguns jovens preferem evitar os compromissos e expectativas que vêm com o casamento”, disse.
E, afinal, agâmicos podem se relacionar com outras pessoas? A resposta é sim! No entanto, eles correm naturalmente, sem pressão, sem rótulos e sem cobranças.
“É uma escolha que exige autoconhecimento e, muitas vezes, apoio psicológico para lidar com as cobranças externas e para encontrar equilíbrio”, emendou a psicóloga.
Saiba por que algumas pessoas têm “fugido” de relacionamentos sérios
O amor costuma ter um significado diferente para cada pessoa: pode ser sobre parceria, sexo, gestos de atenção e cumplicidade. Mesmo com todo esse “pacote” envolvido, tudo indica que o amor romântico e os relacionamentos estão em crise.
Na tentativa de entender se de fato os relacionamentos passam por uma baixa, a Pouca Vergonha conversou com a terapeuta integrativa Clara Rodrigues. Para ela, as pessoas não estão se comprometendo menos em relacionamentos, mas se comprometendo menos consigo mesmas.
“Vivemos em uma era de gratificações instantâneas, em que a dopamina gerada por curtidas, mensagens e interações nas redes sociais cria um ciclo viciante de busca por validação externa. Esse vício nos condiciona a querer respostas rápidas para tudo, inclusive nos relacionamentos”, apontou a especialista, em matéria da coluna Pouca Vergonha.
Clara ressalta que namorar pode parecer difícil no mundo atual, porém, na verdade, os desafios sempre existiram. O que mudou foi a forma como nos relacionamos e as expectativas criadas em torno disso.

“A chave está em encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento pessoal e a disposição para construir uma relação real, com todos os seus altos e baixos. Se você acredita no amor e se mantém disponível para ele, as chances de encontrar alguém especial aumentam”, reforçou.
Mas se você se vê constantemente se perguntando: “por que eu não consigo arrumar um namorado(a)?”, você não está sozinha.
Embora não exista a resposta certa, ou a chave para essa questão, aqui vão alguns pontos:
Clara salienta que a “crise” de relacionamento também pode ter relação com as redes sociais. “O excesso de comparação com vidas idealizadas na internet gera insatisfação crônica. Muitas pessoas acreditam que seu relacionamento nunca será tão ‘perfeito’ quanto aqueles que veem on-line”, diz.
Isso, segundo a terapeuta, as torna menos propensas a investir no processo natural de construção de vínculos, que exige paciência, comprometimento e amadurecimento.













