Base Governista Blinda Frei Chico: CPMI Do INSS Rejeita Convocação De Irmão De Lula

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) rejeitou nesta quinta-feira (16), a convocação de José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, que é irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).

Todos os 11 requerimentos apresentados para convocar Frei Chico foram rejeitados em votação única, por 19 votos a 11. Apesar de o Sindnapi estar entre as entidades investigadas por supostos desvios de recursos e fraudes em descontos indevidos.

A decisão provoca divisões entre parlamentares, com deputados da oposição afirmando que o depoimento seria fundamental para garantir transparência na apuração,, e os aliados do governo dizendo que Frei Chico não tem participação administrativa ou financeira na entidade.

“O que o povo brasileiro quer é saber a verdade sobre o que aconteceu com o dinheiro dos aposentados. O silêncio fala alto”, declarou o deputado Luiz Lima (Novo-RJ), crítico à decisão.

Na defesa da rejeição, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) afirmou que a tentativa de convocação é “infundada”. “Frei Chico não exerce função administrativa nem financeira no sindicato. Ele está lá há apenas um ano, não desde 2015”, destacou.

Durante a mesma sessão, a comissão também negou o pedido de prisão preventiva do presidente do Sindnapi, Milton Cavalo Batista.

Além disso, três requerimentos de quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi foram retirados da pauta após um acordo entre os líderes partidários. Lupi, que comandou a pasta durante o governo Lula e atualmente preside o PDT, foi citado por opositores por suposta omissão diante das irregularidades, mas não há comprovação de envolvimento direto.

A CPMI, por outro lado, aprovou a quebra de sigilo do advogado Eli Cohen, um dos denunciantes do esquema de descontos fraudulentos a aposentados entre 2015 e 2025. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) defendeu a medida, afirmando que o advogado “ainda tem muito a esclarecer”. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou a decisão: “A quebra do sigilo retroage a 2015, muito antes da denúncia. Se isso não é intimidação, eu não sei o que é”.