O Brasil alcançou 82% de cobertura vacinal contra o Papilomavírus Humano (HPV) entre meninas de 9 a 14 anos, índice muito acima da média mundial de 12%, segundo dados do Ministério da Saúde. O resultado coloca o país mais próximo da meta estabelecida junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê 90% de cobertura até 2030 como parte da estratégia global para erradicar o câncer de colo do útero.
O avanço também se reflete entre os meninos: em dois anos, a cobertura subiu de 45,46% para 67,26%. Além disso, o governo aposta no chamado “resgate vacinal” — a imunização de adolescentes que perderam o prazo recomendado. Em 2024, foram identificados 7 milhões de jovens entre 15 e 19 anos sem a vacina. No entanto, até 21 de agosto deste ano, apenas 106 mil haviam recebido a dose.
Estados com maior número de não vacinados, como São Paulo e Rio de Janeiro, iniciaram neste mês ações de busca ativa, o que deve ampliar a cobertura. Só no Rio, estima-se que 520 mil adolescentes estejam sem a proteção.
Especialistas alertam para desafios
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) manifestou preocupação com a baixa adesão no grupo de 15 a 19 anos. Para o pediatra Juarez Cunha, diretor da entidade, a falta de informação é o principal entrave. “Se levarmos o recado de que a vacina pode evitar doenças graves como o câncer de colo do útero, tenho certeza de que teremos maior adesão”, afirmou.
Segundo Cunha, combater a hesitação vacinal exige reforçar a confiança da população nas vacinas e nos profissionais de saúde. Ele destacou ainda a necessidade de campanhas em horários estendidos, com equipes preparadas para esclarecer dúvidas.
Dados da Fundação do Câncer apontam que entre 26% e 37% dos jovens desconhecem que a vacina previne o câncer do colo do útero. Entre os responsáveis adultos, 17% afirmaram não ter essa informação.
A importância da vacina
O HPV é responsável por 99% dos casos de câncer de colo de útero, que registra cerca de 17 mil novos diagnósticos anuais no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O vírus também pode provocar câncer de ânus, pênis, garganta e boca, além de verrugas genitais.
A vacina é mais eficaz antes do início da vida sexual, razão pela qual a faixa etária de rotina é de 9 a 14 anos. Desde 2014, o SUS já distribuiu mais de 75 milhões de doses, que a partir de 2024 passaram a ser aplicadas em dose única.
O tema será debatido na Jornada Nacional de Imunizações, promovida pela SBIm entre 3 e 5 de setembro em São Paulo. O Ministério da Saúde afirmou que tem reforçado parcerias com sociedades científicas, ONGs e o Ministério da Educação, com ações como vacinação em escolas e campanhas educativas.
Em julho, foi sancionada a lei que institui a Política Nacional para Enfrentamento do HPV, voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.







