Professores De Salvador Realizam Nova Assembleia Para Decidir Rumos Da Greve, Que Já Dura Mais De Dois Meses

Os professores da rede municipal de ensino de Salvador realizaram, na manhã desta segunda-feira (14), uma nova assembleia no Ginásio dos Bancários, na Ladeira dos Aflitos, para avaliar os próximos passos da greve iniciada no dia 6 de maio. A paralisação já ultrapassa dois meses e tem impactado cerca de 91 escolas e milhares de estudantes da capital baiana.

A principal reivindicação da categoria é o pagamento integral do piso nacional do magistério, além de melhores condições de trabalho. Segundo a APLB-Sindicato, entidade que representa os docentes, também estão em pauta a valorização da carreira e benefícios como gratificações e ajuda de custo para atuação em áreas específicas.

Durante a assembleia, o presidente da APLB, Rui Oliveira, relatou que se reuniu na última quinta-feira (10), em Brasília, com o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e deputados da bancada baiana para tratar da paralisação. Segundo ele, o gestor demonstrou disposição para negociar, desde que as propostas da categoria estejam formalmente apresentadas e dentro dos limites orçamentários do município.

“Disse que não se opõe a sentar para discutir a proposta, inclusive o parcelamento das reivindicações. Mas quer que tudo seja enviado por escrito para instalação de uma mesa de negociação”, afirmou Oliveira.

A proposta construída pelo comando de greve será votada pela assembleia e, se aprovada, encaminhada à Prefeitura.

Posicionamento da Prefeitura

Em nota divulgada na última quinta-feira (10), a Prefeitura de Salvador informou que cerca de 78% das 412 escolas da rede municipal já retomaram suas atividades. A gestão municipal reforça o apelo pelo fim da greve e destaca que a campanha salarial de 2025 garantiu reajustes de 9% a 18%, acima do índice de 6,27% fixado para o piso nacional do magistério, que hoje é de R$ 4.867,77.

Ainda segundo a Prefeitura, nenhuma remuneração está abaixo do piso e não haverá redução de vencimentos. Entre os pontos negociados com a categoria estão a atualização de gratificações, criação de novas vagas por titulação, ajuda de custo para atuação em áreas específicas e a possibilidade futura de converter a licença-prêmio em pecúnia.

A administração municipal informa que não haverá novas rodadas de negociação enquanto a greve permanecer, por entender que os avanços já oferecidos atendem aos limites legais e fiscais. A Prefeitura também destaca decisões judiciais que decretaram a ilegalidade da greve desde 7 de maio, inclusive com sentença do Supremo Tribunal Federal (STF).

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