O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, vai se reunir, nesta sexta-feira (28), com o técnico Dorival Júnior para discutir seu futuro à frente da Seleção Brasileira, após a derrota por 4 a 1 para a Argentina em Buenos Aires, na terça-feira (25). A derrota aumentou a pressão sobre o treinador, que tem enfrentado críticas pelas más apresentações do Brasil nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.
O coordenador executivo da Seleção, Rodrigo Caetano, também estará presente no encontro. Ele e Dorival assumiram seus cargos em fevereiro do ano passado e, com o desempenho abaixo do esperado, estão com seus postos ameaçados. A CBF está avaliando alternativas para reverter o quadro negativo.
Em meio a essa pressão, o nome mais citado para substituir Dorival é o de Filipe Luís, atual técnico do Flamengo. A possibilidade de Filipe Luís assumir o comando da seleção é vista como uma aposta, já que ele tem um perfil semelhante ao de Lionel Scaloni, técnico da Argentina, que chegou ao cargo sem grande experiência, mas com um histórico na seleção e bom relacionamento com o elenco.
Possíveis desafios na troca de comando
A situação de Filipe Luís envolve um problema logístico: Ednaldo não deseja desfalcar o Flamengo antes do Mundial de Clubes da FIFA, previsto para junho e julho.
Além disso, em junho, há uma Data Fifa com jogos importantes contra Equador e Paraguai. A CBF ainda precisa decidir se irá esperar até depois do torneio para realizar a troca.
Até a derrota para a Argentina, aliados de Ednaldo acreditavam que Dorival permaneceria no cargo até junho, quando o cenário pós-Mundial poderia oferecer novas opções para a Seleção. No entanto, o fracasso no Monumental de Núñez acelerou a pressão por mudanças.
Antes de se reunir com Dorival, Ednaldo participará de um encontro convocado pela Conmebol nesta quinta-feira (27), em Luque, no Paraguai. A reunião discutirá medidas contra o racismo no futebol.
Dorival defende Ednaldo após derrota
Após a derrota da Seleção, o técnico evitou comentar diretamente sobre as críticas ao trabalho e o impacto dessas cobranças, mas reconheceu que a pressão “é sempre grande”. Dorival reafirmou seu compromisso com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com o presidente reeleito Ednaldo Rodrigues, destacando a lealdade ao dirigente.
“Independente da derrota de hoje, eu seria muito desleal se falasse qualquer coisa a respeito do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)“, disse durante coletiva de imprensa. “Em momento nenhum ele deixou de estar presente, de nos apoiar. Sempre chegou no dia das partidas na grande maioria dos locais que nós tivemos“, complementou.
O treinador também destacou que, mesmo durante o processo eleitoral, Ednaldo não faltou ao seu apoio. Em relação ao desempenho da seleção no clássico contra a Argentina, Dorival foi sincero ao admitir que a estratégia do time não deu certo. A seleção brasileira não conseguiu reagir mesmo após diminuir o placar para 2 a 1 com um gol de Matheus Cunha, após falha da defesa argentina.
“Eu acho que o trabalho estava sendo desenvolvido, está acontecendo“, afirmou. “É natural que um resultado como esse nos machuca muito“, reconheceu o técnico.
Dorival avalia desempenho e desafios pessoais
Dorival também admitiu que essa derrota se tornou o momento mais difícil de sua carreira, superando até mesmo outros desafios vividos em mais de 20 anos como técnico e jogador. A pressão, no entanto, não o fez perder a confiança no seu trabalho.
“Acredito muito no meu trabalho, o desenvolvimento de tudo isso“, afirmou, mostrando otimismo apesar do cenário complicado. O treinador também demonstrou que, apesar do resultado doloroso, ainda acredita na capacidade de encontrar soluções para a seleção brasileira.
“Eu jamais desisto e sempre consegui encontrar caminhos importantes nos grupos que dirigi“, afirmou. Por fim, Dorival expressou a certeza de que, apesar do golpe sofrido no clássico, a seleção brasileira encontrará o caminho para recuperar-se e voltar a ter bons resultados.
“Todos os anos de vivência dentro do futebol talvez seja o momento mais delicado“, finalizou.